A Polícia Federal ( PF ) pediu ao ministro André Mendonça mais 60 dias para concluir a investigação sobre as operações do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) .A corporação cita dois laudos periciais recentes, depoimentos pendentes e informações do Banco Central entre os motivos para ampliar o prazo da apuração.
A investigação envolve a compra, pelo BRB, de títulos de crédito do Banco Master. Entre os ativos negociados estavam R$ 13, 3 bilhões em créditos da Tirreno. Segundo auditoria independente realizada no BRB pela Machado Meyer em parceria com a Kroll, esses créditos eram “total ou majoritariamente desprovidos de lastro”. Leia também Grande Angular Gilmar diverge de Cármen e Fux em julgamento da Lei da Ficha Limpa Grande Angular Michelle diz que atos de campanha ficam prejudicados com decisão de Moraes Grande Angular Procuradoria-Geral do DF pede ao STF devolução de R$ 12, 2 bilhões do BRB Grande Angular PF aponta gestão fraudulenta de ex-diretores do BRB em negócios com Master
Entre as diligências pendentes estão os depoimentos de funcionários envolvidos na estruturação e na operacionalização das operações e de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB (Dicol) cujas condutas foram individualizadas pelos laudos. A PF também aguarda informações solicitadas ao Banco Central.
A corporação pediu documentos adicionais ao Banco Central para analisar os efeitos das sucessivas substituições das carteiras negociadas entre o BRB e o Master . Segundo a PF, o BC determinou que ativos originários do Master passassem por avaliação específica durante seis meses, após impor medidas prudenciais ao BRB.
Um dos laudos analisou documentos das operações entre o BRB e o Master. Segundo a PF, o trabalho apontou“possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco” e“aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle” . A perícia também identificou a “participação individualizada de integrantes da Dicol em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação”. Segundo a PF, o laudo trouxe fatos novos e permitiu individualizar a atuação de pessoas que ainda não figuravam formalmente entre os investigados. O segundo laudo analisou materiais apreendidos durante a Operação Compliance Zero e documentos relacionados às operações entre o Banco Master e a Tirreno. Segundo a PF, a perícia encontrou“elementos indicativos de incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas” . O trabalho também apontou“ausência de evidências de liquidação financeira efetiva das cessões analisadas” e“inconsistências documentais relevantes” . A PF afirma ainda que o laudo identificou, no Banco Master, mecanismos internos de controle, monitoramento e governança que “possuíam condições de identificar as irregularidades apontadas”. O pedido foi assinado em Brasília em 20 de agosto de 2026 e veio a público após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitar a André Mendonça a retirada do sigilo das investigações sobre o Master que tramitam na Corte.

