A Polícia Federal decidiu arquivar uma investigação sobre suposta interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras. O pedido, feito pela Advocacia-Geral da União (AGU), falava sobre o eventual uso de dinheiro público dos Estados Unidos no financiamento de organizações e grupos que operam em território brasileiro.
O pedido de investigação foi encaminhado na última quinta-feira (1) ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. No domingo (4), dia do primeiro turno das eleições, Andrei Rodrigues afirmou que a PF estava realizando uma apuração preliminar sobre o caso, sem instauração formal de inquérito.
"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", disse Andrei.
A informação sobre o arquivamento foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela GloboNews e TV Globo. O pedido teve como base uma matéria do jornal britânico The Guardian, publicada na quarta (30), segundo a qual o Departamento de Estado dos EUA teria repassado US$ 1 milhão a entidades e grupos envolvidos na mobilização de ações contra instituições do país — em especial o Supremo Tribunal Federal (STF) — sob a justificativa de combater supostos excessos judiciais e práticas de censura.
Segundo consta na notícia-crime apresentada pela AGU, com base na reportagem, a verba repassada pelo governo dos EUA teria como "objetivo explícito o financiamento e a sustentação financeira de entidades e grupos da sociedade civil focados em desestabilizar e atentar contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro".
Os repasses do Departamento de Estado norte-americano teriam sido feitos pelo 'Human Rights and Democracy Fund' (HRDF) ao programa "Countering Lawfare and Censorship in Brazil", que supostamente combateria supostos excessos judiciais e práticas de censura no país.
Ao final do documento, a AGU pedia a apuração dos fatos narrados na reportagem, ressaltando a gravidade das informações apresentadas pelo jornal britânico. O documento é assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e outros três membros da instituição.

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