Um grupo, em que os integrantes se identificam como empresários e movimentou mais de R$ 9, 6 milhões com a venda de entorpecentes, foi alvo da Polícia Civil da Bahia durante a Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24/9). Segundo a corporação, os investigados comercializavam drogas de luxo e tinham entre os clientes médicos e advogados. As negociações eram feitas principalmente pelas redes sociais.
A operação cumpre mandados judiciais em Salvador, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju, em Sergipe.
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de 20 contas bancárias — 15 de pessoas físicas e cinco de pessoas jurídicas —, além de medidas para tornar indisponíveis veículos e outros ativos ligados aos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo ostentava veículos de luxo e utilizava as redes sociais para negociar os entorpecentes. As drogas eram apresentadas com nomes comerciais próprios e vendidas por valores superiores aos praticados no mercado ilícito convencional.
Conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação identificou o ambiente digital como o principal canal de comercialização. Ospedidos eram feitos por meio de perfis no Instagram, enquanto os pagamentos ocorriam principalmente via Pix .
As entregas seguiam um modelo semelhante ao de um serviço convencional, com embalagens discretas e sem identificação do conteúdo.
Ainda segundo a investigação, o perfil dos envolvidos fugia da imagem tradicionalmente associada ao tráfico de drogas. Os integrantes identificados se apresentavam como empresários, moravam em imóveis de alto padrão e circulavam em veículos de luxo .
Entre as substâncias identificadas estavam produtos comercializados com os nomes: ice, wolf, dry, flor 24 k e refil hallu califa. Este último, segundo a polícia, estaria relacionado avariedades importadas de cannabis . Os clientes faziam os pedidos por mensagens privadas e recebiam as drogas em locais previamente combinados. Drogas importadas do Paraguai
Parte do abastecimento, conforme a investigação, era feita por um fornecedor localizado em São Paulo, responsável pelo envio de grandes quantidades de drogas para posterior distribuição na Bahia e em Sergipe. Os investigadores também identificaram informações sobre drogas importadas do Paraguai, que seriam transportadas de forma camuflada em produtos de beleza.
A análise financeira apontou movimentação superior a R$ 9, 6 milhões em mais de 16, 6 mil transações bancárias relacionadas aos investigados e a terceiros envolvidos na circulação dos recursos.
A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), do Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

