Patrus promete pagar servidores em dia e propõe revisar isenções fiscais

Patrus promete pagar servidores em dia e propõe revisar isenções fiscais

O candidato do PT ao governo de Minas, Patrus Ananias, defendeu, em entrevista ao MG 1 desta quarta-feira (16), a revisão das isenções fiscais concedidas pelo estado. Ele falou também que vai buscar a renegociação da dívida com a União e a prorrogação do prazo de pagamento por mais dez anos.

Patrus ainda se comprometeu a pagar os servidores em dia e a ampliar o número de delegacias especializadas no atendimento a mulheres. Ele é o terceiro a participar da série de sabatinas do MG 1, que seguirá até o próximo sábado (19). A Globo convidou os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro.

Veja o que Patrus Ananias falou sobre os seguintes temas: Crise no STF e investigações em BrasíliaDisputa eleitoralGestão do PT e pagamento de servidoresRenegociação da dívida de Minas e revisão de isenções fiscaisMineração, meio ambiente e desenvolvimento econômicoCombate à violência contra a mulherEducação e contratação de servidoresAtuação parlamentar e destinação de emendasFilas na saúde e regionalização do atendimentoCrise no STF e investigações em Brasília Questionado sobre os desdobramentos das investigações envolvendo integrantes do Judiciário e políticos de diferentes partidos, Patrus Ananias afirmou que acompanha o cenário nacional, mas disse que sua prioridade no momento é a campanha ao governo de Minas Gerais.

O candidato avaliou que o país vive um momento importante e desafiador, mas ponderou que eventuais julgamentos devem ser feitos com base nos fatos e respeitando o devido processo legal. "Eu considero que nós estamos vivendo realmente no Brasil um momento importante com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um momento também delicado, desafiador." Patrus disse que tem concentrado esforços em viagens pelo estado e no diálogo com a população mineira para construir seu plano de governo, sem deixar de acompanhar os acontecimentos em Brasília. "A minha prioridade nesse momento é a minha campanha para ganhar as eleições e bem governar Minas Gerais.

(...) É claro que eu não me afasto, não me alieno dos acontecimentos em Brasília. Acompanho, mas também aprendi, como advogado e professor de Direito, a emitir julgamentos diante de fatos que a gente tenha conhecimento deles. E que a sentença só pode ser dada também depois do devido processo legal."Disputa eleitoral Questionado sobre ter sido anunciado como candidato ao governo de Minas Gerais apenas no fim de julho, depois que outros nomes foram cogitados pelo PT para a disputa, Patrus negou que a demora tenha prejudicado sua campanha.

"Eu sempre sonhei, sempre tive um compromisso profundo com o estado de Minas Gerais, com o nosso povo. E a possibilidade de governarmos dentro dos princípios éticos, democráticos, sociais, o compromisso com os mais empobrecidos, com o desenvolvimento do nosso estado sempre esteve presente no meu coração".

O candidato disse que não participou da disputa interna inicialmente porque havia outros nomes colocados para a sucessão estadual e que acompanhava as discussões do partido. Segundo ele, sua intenção inicial era buscar a permanência na Câmara dos Deputados, mas o cenário político mudou após a desistência de outros pré-candidatos mencionados pelo partido.

"Tinha outros nomes postos, vinha acompanhando quando abriu a perspectiva. Eu aceitei e acolhi com muita alegria e estou fazendo essa campanha, como eu disse e reitero, com o coração muito aquecido e com muita convicção de que nós podemos ganhar e muito bem governar Minas, como fizemos na prefeitura de Belo Horizonte, no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e em outras frentes", afirmou.

Gestão do PT e pagamento de servidores Questionado sobre os atrasos salariais registrados durante o governo Fernando Pimentel (PT), Patrus Ananias afirmou que, se eleito, manterá os pagamentos dos servidores estaduais em dia. O candidato destacou o compromisso do partido com os serviços públicos e disse que pretende valorizar os profissionais que atuam em áreas como educação, saúde, segurança e cultura.

"Eu assumo o compromisso com servidoras e servidores do estado de Minas Gerais de que a remuneração deles será condignamente nos dias certos". Patrus evitou fazer uma avaliação da gestão de Pimentel e ressaltou sua relação pessoal com o ex-governador. Segundo ele, respondeu por sua própria trajetória política e destacou não ter sido alvo de denúncias ou processos ao longo da vida pública.

"Eu tenho uma relação pessoal com o Fernando Pimentel [...]. Eu não respondo pelas outras pessoas. Eu respondo pela minha pessoa". Ao ser questionado sobre os atrasos de repasses aos municípios durante o governo petista e sobre a desconfiança de prefeitos em relação a uma eventual nova gestão do PT, o candidato afirmou que pretende adotar uma administração pautada pela transparência fiscal e pela negociação da dívida do estado com a União.

Renegociação da dívida de Minas e revisão de isenções fiscais Questionado sobre a possibilidade de rever os termos do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Patrus afirmou que, se eleito, pretende negociar com o governo federal a ampliação do prazo de pagamento da dívida de Minas Gerais.

O candidato disse que não defende o descumprimento dos compromissos assumidos pelo estado, mas considera necessário criar condições para aumentar os investimentos em áreas como saúde, educação e segurança pública. "Nós vamos cumprir o compromisso, mas eu vou propor, sim, ao governo federal nós prorrogarmos.

[...] Vamos propor de imediato prorrogar por mais 10 anos. Agora, é claro que isso vai ser negociado com o governo federal, mas a postura do governo de Minas vai ser prorrogar essa dívida para que nós possamos saldar também corretamente a dívida social, saúde, educação, segurança pública que temos hoje".

Ao ser questionado sobre os riscos de alongar o prazo de pagamento e, consequentemente, manter a dívida por mais tempo, o candidato afirmou que eventuais mudanças precisariam ser discutidas com a União e assessores da área econômica. Patrus disse que a intenção é buscar condições mais favoráveis para o estado, incluindo a ampliação dos prazos e a redução dos juros.

"Tudo é negociado. Vamos negociar calmamente. Nós queremos o melhor para o estado de Minas. É claro que vou ser assessorado também por pessoas competentes, economistas e terei, sim, a boa vontade do presidente Lula. É claro que nós queremos alongar o prazo, reduzir juros, né?

Vamos lutar por isso. Negociação é negociação", falou. Ao falar sobre a situação fiscal de Minas Gerais e as alternativas para ampliar a arrecadação sem comprometer investimentos sociais, Patrus defendeu a revisão das isenções fiscais concedidas pelo estado e lembrou que, em 2025, as renúncias somaram R$ 19, 4 bilhões.

"O nosso primeiro passo vai ser a revisão das isenções fiscais no Estado. Depois nós vamos buscar sim uma justiça tributária correta. Na Prefeitura de Belo Horizonte, nós empregamos um princípio que a cidade agradou muito. Quem pode mais paga mais, quem pode menos paga menos, quem não pode, não paga, se preciso, recebe, para que seus filhos, filhas, netas, netos possam contribuir no futuro".

Mineração, meio ambiente e desenvolvimento econômico Questionado sobre a proposta de reavaliar licenças ambientais e incentivos concedidos ao setor mineral, Patrus defendeu a construção de políticas por meio do diálogo entre governo, empresas, trabalhadores e sociedade civil.

Segundo ele, o desenvolvimento econômico deve ser compatibilizado com a preservação ambiental. O candidato afirmou que empresas com maior capacidade financeira, inclusive do setor de mineração, podem contribuir mais por meio da tributação para financiar políticas públicas e ações de proteção ambiental.

"Aquelas empresas que podem pagar mais, inclusive o setor de mineração, que paguem mais até para nós termos recursos para enfrentarmos os desafios ambientais". Patrus disse que pretende estimular o desenvolvimento regional e aproveitar o potencial econômico de atividades como mineração, agropecuária, indústria, comércio e turismo.

Ao mesmo tempo, defendeu a adoção de medidas voltadas para a inclusão social e a preservação dos recursos naturais. "O grande desafio da vida pública é exatamente esse: buscar um encontro de interesses que muitas vezes são conflitantes e a busca da síntese, do encontro desses interesses e dessas possibilidades diferenciadas".

Combate à violência contra a mulher Questionado sobre o baixo volume de recursos destinados por meio de emendas parlamentares a ações específicas de enfrentamento à violência contra a mulher durante seu mandato como deputado federal, Patrus reconheceu que o tema pode não ter recebido a "devida atenção".

Ele destacou sua participação em comissões da Câmara dos Deputados, citou a atuação na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ), na Comissão de Educação e no debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Patrus também mencionou ações adotadas durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte e afirmou que a administração municipal teve mais mulheres do que homens no secretariado.

"Posso até fazer uma autocrítica aqui de que talvez o nosso mandato como deputado federal não tenha dado a devida atenção à questão da violência contra as mulheres e ao feminicídio, o que nós faremos com muita determinação no nosso governo em Minas Gerais, que é colocar a questão das mulheres como direito fundamental", afirmou.

O candidato apresentou duas propostas prioritárias para a área: ampliar o número de delegacias voltadas ao combate à violência contra as mulheres e abrir casas de acolhimento para as vítimas. "Nós vamos implantar pelo nosso estado de Minas as casas de acolhimento das mulheres, espaços dignos, espaços de acolhimento, onde as mulheres agredidas, violentadas ou mesmo ameaçadas encontrem o seu espaço de segurança".

Educação e contratação de servidores Questionado sobre a proposta de ampliar o número de servidores efetivos da educação, apesar das limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Patrus Ananias afirmou que a medida será implementada ao longo dos quatro anos de mandato e dependerá da ampliação da arrecadação estadual e da revisão de benefícios fiscais.

Segundo o candidato, o fortalecimento dos serviços públicos passa pela realização de concursos e pela substituição gradual de contratos temporários por servidores efetivos. "Nós não vamos cumprir no primeiro dia de governo não. Vou governar Minas Gerais ganhando as eleições por quatro anos, e vamos governar democraticamente, ampliando os recursos, como eu mencionei aqui, acabando com algumas isenções fiscais, buscando parcerias efetivas".

Patrus afirmou que é contrário à contratação temporária em áreas consideradas essenciais, como a educação, e defendeu a formação de quadros permanentes por meio de concursos públicos. "Eu sou contra áreas fundamentais como essas que eu mencionei terem servidores contratados.

É fundamental que sejam pessoas aprovadas em concurso público de provas e títulos e que façam uma carreira dentro desses serviços." Ao ser questionado sobre quais ajustes faria para cumprir a proposta sem descumprir a legislação fiscal, o candidato afirmou que não detalharia medidas contábeis durante a entrevista.

Ele disse que pretende aumentar receitas por meio da revisão de isenções fiscais e direcionar recursos para áreas prioritárias. "Nós vamos aumentar a tributação. Segundo, nós vamos aumentar os recursos do Estado com a questão das isenções fiscais que eu mencionei aqui.

[...] Onde for desnecessário o gasto público, nós vamos cortar para garantir o recurso público nas áreas fundamentais que promovem a vida, o bem comum e o desenvolvimento das pessoas."Atuação parlamentar e destinação de emendas Questionado sobre o volume de emendas destinadas a investimentos estruturais na saúde enquanto deputado federal, Patrus afirmou que sempre trabalhou com recursos previstos de forma transparente e criticou o que chamou de emendas ocultas ou sem identificação clara de autoria.

Segundo o candidato, a comparação com outros parlamentares deve levar em conta a origem dos recursos utilizados. Ele afirmou que nunca participou de mecanismos que considera incompatíveis com os princípios republicanos. "Eu nunca participei dessas emendas escondidas, ocultas.

Então tem que ver aí direitinho se não tem deputados que encaminharam recursos para as suas bases políticas, para os seus municípios, segundo os seus interesses, com esses recursos que eu considero absolutamente ilegítimos, ilegais e contrários aos princípios republicanos e democráticos." Patrus disse que suas emendas foram apresentadas dentro dos limites legais e definidas a partir de diálogo com comunidades, municípios e lideranças locais para identificar as demandas mais urgentes.

"Eu trabalhei sempre com emendas mais restritas, dentro dos princípios legais, transparentes, com prestação de contas. As minhas emendas são muito definidas democraticamente, como eu sempre faço."Filas na saúde e regionalização do atendimento Questionado sobre a proposta de reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias eletivas, Patrus afirmou que pretende fortalecer a regionalização da saúde em Minas Gerais, com integração entre municípios e organização dos serviços nas regiões do estado.

Segundo o candidato, a estratégia passa por ampliar a cooperação entre cidades vizinhas para evitar a duplicação de estruturas e aproveitar melhor os equipamentos e serviços já existentes. "Minas Gerais hoje é um estado razoavelmente bem dividido em 17 regiões, com as suas características comuns, históricas, geográficas, ambientais e culturais.

Então essa questão regional vai ser fundamental." Patrus defendeu a integração dos sistemas de saúde e afirmou que o objetivo é aproximar os atendimentos da população, reduzindo a necessidade de deslocamentos entre municípios e regiões. "Vamos aproximar os municípios também.

Vamos trabalhar regionalmente e potencializar ali as políticas públicas sociais. Uma cidade que tem um atendimento numa área da saúde, não precisa ter o mesmo atendimento em outro município. Buscar essa integração." O candidato disse ainda que pretende priorizar a área da saúde em uma eventual gestão e estabelecer metas para reduzir tanto as filas quanto o tempo de espera por atendimentos.

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