A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal , projeta déficit primário deR$ 86, 1 bilhões em 2027, em contraste com o superávit de R$ 18, 6 bilhões previsto pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), apresentado em agosto.
A diferença entre as estimativas chega a R$ 104, 8 bilhões e, segundo o órgão, pode exigir bloqueio de despesas para cumprimento da meta fiscal. Leia também Igor Gadelha Há 2 semanas, Lula enviou Orçamento de 2027 sem reajuste do Bolsa Família Brasil Orçamento de 2027 prevê R$ 2, 5 bilhões para contratação de novos servidores Brasil Governo não prevê reajuste do Bolsa Família em Orçamento de 2027 Brasil Orçamento: governo prevê salário mínimo de R$ 1. 741 e PIB de 2, 46% em 2027
As projeções constam noRelatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de setembro, divulgado nesta quinta-feira (17/9), que traça um diagnóstico das contas públicas e das premissas utilizadas pelo governo. Para a IFI, parte relevante da divergência está nos parâmetros macroeconômicos considerados no orçamento. Leia também Igor Gadelha Há 2 semanas, Lula enviou Orçamento de 2027 sem reajuste do Bolsa Família Brasil Orçamento de 2027 prevê R$ 2, 5 bilhões para contratação de novos servidores Brasil Governo não prevê reajuste do Bolsa Família em Orçamento de 2027 Brasil Orçamento: governo prevê salário mínimo de R$ 1. 741 e PIB de 2, 46% em 2027
Além disso, o governo trabalha com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2, 5% em 2027, enquanto a IFI projeta expansão de 1, 8%. Já o mercado, medido pelo Boletim Focus , aponta alta de 1, 5%. A diferença impacta diretamente a arrecadação esperada, uma vez que um ritmo menor de atividade reduz a base de receitas.
Do lado das despesas, o relatório aponta divergências em gastos obrigatórios, como Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais. Na avaliação da IFI, o orçamento enviado ao Congresso Nacional apresenta premissas consideradasotimistas .
Mesmo após ajustes previstos nas regras fiscais, a IFI estima que o resultado primário ficaria próximo de zero, abaixo de R$ 1 bilhão, insuficiente para o cumprimento da meta estabelecida no arcabouço fiscal. Nesse cenário, o órgão calcula a necessidade de contingenciamento deR$ 35, 7 bilhões .
O quadro pode se agravar com novas despesas não plenamente incorporadas às projeções. Entre elas está o aporte de R$ 33, 8 bilhões ao Fundo de Compensação aos Estados, previsto na reforma tributária.
No campo das receitas, a IFI aponta incertezas relacionadas aR$ 42 bilhões previstos no orçamento como fonte condicionada ao Imposto Seletivo, cuja regulamentação ainda não foi enviada ao Congresso.
Por fim, o relatório chama atenção para a pressão crescente das despesas com precatórios. Desde 2022, esses gastos passaram a um patamar mais elevado e continuam em trajetória de expansão, impulsionados pelo aumento na emissão de novas ordens judiciais.

