A advogada Mariângela Fialek, apontada pela Polícia Federal ( PF ) como operadora na Câmara do esquema de emendas parlamentares, aparece agora como uma das peças da investigação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
A ligação foi detalhada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), na decisão que autorizou a operação de busca e apreensão contra Cezinha e Valéria Rodrigues Linhares , esposa do parlamentar. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3
Cezinha de Madureira, presidente da Comissão de Viação e Transporte BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto 2 de 3
Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira Pablo Valadares/Agência Câmara 3 de 3
Ministro André Mendonça, do STF KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
A apuração autorizada por Dino investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cezinha é investigado por possível tráfico de influência em tribunais superiores.
O novo braço da investigação surgiu justamente a partir do celular da advogada, conhecida na Câmara como Tuca, e que foi apreendido pela PF em dezembro de 2025 durante a Operação Transparência.
A perícia no aparelho revelou conversas entre a advogada, Cezinha e Valéria. Segundo a PF, os diálogos indicam uma divisão de tarefas entre os três. Tuca seria responsável por captar e formalizar as causas junto à Cortes superiores
Na prática, ela aparece como o elo entre os processos judiciais e a influência política que, segundo a investigação, seria exercida pelo parlamentar.
Cezinha, justamente, seria o responsável pelo contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores, segundo a Polícia Federal. Já a esposa do deputado cuidaria de contratos de honorários e cessões de crédito. Valores elevados
No relatório da PF, Fialek aparece conversando com Cezinha e enviando peças, memoriais e informações sobre processos. Em seguida, o deputado dizia ter “falado”, “despachado” ou “pedido” a ministros.
Paralelamente, a advogada firmava contratos com honorários de êxito de valores elevados condicionada ao resultado do julgamento. Um dos episódios apontados pela PF é com a então prefeita de Beberibe (CE), Michele Queiroz, que buscava junto ao STF anular uma investigação do Ministério Público cearense .
O escritório de Tuca firmou contrato de R$ 500 mil, condicionado ao resultado do julgamento. Ela chega a enviar uma mensagem para Cezinha perguntando se ele havia despachado sobre o processo, e o parlamentar respondeu que sim. Leia também Igor Gadelha Queiroz rechaça ter sido “escondido” por Flávio em evento no Rio Igor Gadelha Aliados de Lula minimizam Quaest e dizem que pesquisa já está “velha” Igor Gadelha Escolhido por Gonet para atuar no Master divide aula com Moraes na USP Igor Gadelha Dias antes de ser alvo da PF, deputado disse ter tido celular roubado
Em outro caso, Tuca encaminhou a Cezinha memoriais destinados aos ministros Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. Nas mensagens, o deputado afirma que seria atendido por Kassio Nunes Marques e que faria um pedido diretamente ao ministro. Aliado de Mendonça
Como noticiou a coluna, o deputado é aliado de primeira hora de André Mendonça . Ao mesmo tempo, é muito ligado ao advogado Daniel Bialski, que entrou para a defesa de Daniel Vorcaro no início de agosto de 2026.
Para Dino, os diálogos indicam, em análise preliminar, que Cezinha não se limitava ao encaminhamento de documentos, mas se comprometia a formular pedidos pessoais aos julgadores.
A PF concluiu que Tuca e Valéria teriam estabelecido uma parceria para buscar decisões favoráveis em processos no STF, “contando com o auxílio de Cezinha de Madureira”.
Tuca já está no centro de outra frente de investigação. A servidora é apontada pela PF como responsável por centralizar e operacionalizar indicações de emendas na Câmara.
A advogada é investigada por suspeitas relacionadas ao direcionamento irregular desses recursos. A defesa de Fialek afirma que sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal”.

