O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a reação à enchente no túnel do Vale do Anhangabaú funcionou bem e que a água subiu 1 metro em apenas três minutos durante o temporal que atingiu a capital paulista na tarde de quarta-feira (14). A enchente deixou 26 carros e dois ônibus submersos. "[O alagamento] começou às 16 h 07, e às 16 h 10, exatamente três minutos depois, você já tinha mais de um metro de lâmina d'água", afirmou nesta quinta-feira (15) durante entrevista coletiva. Segundo a prefeitura, as seis bombas instaladas no local funcionaram ininterruptamente, sem apresentar falhas, mas não conseguiram dar vazão ao volume de chuva registrado na região. Demorou aproximadamente uma hora até que a inundação fosse eliminada. De acordo com a administração municipal, choveu 42 milímetros na região do Anhangabaú em cerca de 40 minutos, o equivalente a 37% da média prevista para todo o mês de outubro na capital. A prefeitura informou que o volume corresponde ao esperado para 11 dias do mês. Apesar do transtorno à população, Nunes avalia que a resposta da prefeitura ao episódio foi adequada diante das circunstâncias. "É um volume muito grande de água. [O protocolo de reação] funcionou bem. Pra você ver, com esse tanto de volume de água, ela demorou três minutos pra encher, e a gente conseguiu rapidamente, considerado o histórico que tem do Anhangabaú, fazer com que a água, voltasse à sua normalidade", declarou o prefeito. Segundo o prefeito, o alagamento começou por volta das 16 h 07 e foi significativamente reduzido em menos de uma hora com o acionamento das bombas fixas do túnel e de caminhões equipados com bombas de sucção que reforçaram a operação. Nunes disse que os veículos emergenciais chegaram ao local por volta das 16 h 40. Segundo ele, quando a precipitação mais intensa começou, o túnel já estava ocupado por veículos em horário de pico. "Infelizmente a gente não conseguiu se antecipar e fazer o bloqueio dos veículos para dentro do túnel, porque os carros já estavam lá quando o volume de água caiu", afirmou. Apesar de avaliar que a resposta da administração municipal foi adequada, Nunes admitiu que os procedimentos poderão ser revistos após o episódio. "Agora a gente vai estar melhorando os nossos protocolos, talvez ampliar o volume das nossas bombas, isso tudo a gente vai estar fazendo", disse o prefeito, sem dar mais detalhes. Mais cedo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que as interdições do túnel começaram às 15 h 38, dentro do protocolo adotado em situações de Estado de Atenção para alagamentos. O prefeito, porém, contestou a informação apresentada por repórteres durante a entrevista coletiva. "Não houve fechamento às 15 h 48 de ontem. Ou você está com a informação errada, ou a CET te passou a informação errada", afirmou. Ao rebater questionamentos sobre a possibilidade de fechamento preventivo do túnel, o prefeito afirmou que a intensidade da chuva surpreendeu até os serviços de meteorologia e que os veículos já estavam dentro da via quando a água começou a subir. "O protocolo funcionou. As pessoas também perguntaram: 'ah, mas por que não fechou o trânsito na hora que começou a chuva?' Se você olhar a previsão dos meteorologistas do dia anterior com relação à data de ontem, não tinha uma previsão desse volume de água", justificou o prefeito. "Sequer os meteorologistas conseguiram prever aquele volume de água por conta das mudanças climáticas. Se você pegar o boletim do nosso Centro de Operações, ele falou o seguinte: 'olha, vai ter uma frente que vem do interior e vai ter chuvas de moderada a forte'. Quer dizer, de moderada a forte é um espaço gigantesco", acrescentou. "A ação da prefeitura é muito rápida, automática. Agora, vamos ser sincero com todas as pessoas que moram em São Paulo ou que trabalham e que visitam. A gente vive um momento de mudança climática. Cair 40% da chuva prevista para o mês inteiro em poucos minutos? A gente obviamente tem uma situação que é diferente de um padrão normal", acrescentou. O prefeito também atribuiu o alagamento à concentração de cursos d'água subterrâneos que convergem para a região e disse que avalia a construção de um piscinão embaixo do Terminal Bandeira, próximo ao Vale do Anhangabaú. Segundo ele, a obra está estimada em mais de R$ 350 milhões, mas ainda não é considerada prioritária diante de outras intervenções contra enchentes em andamento na cidade.
Nunes diz que reação à inundação no túnel do Anhangabaú 'funcionou bem'
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