No Rio, Lula rebate Trump sobre facções: “Terrorismo foi o 8 de Janeiro”

No Rio, Lula rebate Trump sobre facções: “Terrorismo foi o 8 de Janeiro”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (18/9) que não aceita a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, como foi feito pelo governo dos Estados Unidos.

O petista declarou ainda que “terrorismo” foram os ataques golpistas de 8 de Janeiro e o plano de assassinar autoridades na trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após as eleições de 2022.

“Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas como diz o [Donald] Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso era o Bolsonaro, tentando dar o golpe dia 8 de Janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, Alckmin, e matar até o Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, afirmou Lula.

Na última quarta-feira (16/9), o governo de Donald Trump criticou o governo brasileiro por supostamente ter falhado em combater as facções PCC e CV , que a Casa Branca considera “organizações terroristas estrangeiras”. A Casa Branca afirmou que o Brasil foi transformado em um “centro de distribuição global de cocaína”. Leia também Brasil Governo Lula rebate críticas de Trump sobre falhas no combate às facções Mundo Lula pode rebater críticas de Trump sobre combate ao PCC e CV na ONU Mundo Trump diz que governo Lula falha no combate ao PCC e CV Brasil Governo brasileiro não descarta encontro casual entre Lula e Trump na ONU

A declaração do presidente foi dada no Rio de Janeiro (RJ), durante evento de apresentação deações integradas para o enfrentamento ao crime organizado , baseadas na atuação coordenada entre União, do Estado e do município.

A estratégia da cooperação está organizada em três frentes complementares: proteção integrada dos corredores logísticos, em parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o estado do RJ; política estadual de recuperação territorial, também firmada entre o MJSP e o estado; e capacidade municipal de segurança, em parceria entre o ministério e o município do Rio.

Segundo Lula, o trabalho de integração do estado é “quase um plano piloto”. “Isso aqui é o começo de uma experiência da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da polícia da prefeitura trabalharem juntos. Irmanados, com o mesmo objetivo: dar tranquilidade ao povo que mora na periferia, às pessoas que querem tranquilidade”, disse.

A ideia, de acordo com o presidente, é criar um “novo padrão de segurança” no país. “Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”, pontuou.

O titular do Planalto declarou ainda que integrantes de facções praticam terrorismo contra a população, deixando todos “assustados”, e voltou a mencionar a criação do Ministério da Segurança Pública após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso Nacional.

“Nós vamos desocupar os territóriso. Esse é o nosso compromisso. Deixar o Rio de Janeiro livre da bandidagem, Para que a sociedade possa se movimentar com essa tranquilidade. Se esse projeto der certo, vamos começar com algumas coisas importantes. Primeiro, sufocar a logística e a mobilidade do crime. Esse é o primeiro passo. O segundo, retomar os territórios. E o terceiro é fortalecer o papel e a capacidade das capitais e das cidades com mais habitantes”, frisou.

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