Na reta final do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro buscam votos no Sudeste em cenário de empate técnico. A votação ocorre no próximo domingo (25). Flávio pretende rebater ataques sobre cortes em benefícios e divulgar propostas. Ele fará atos no Rio de Janeiro e em São Paulo neste domingo (18). O fim da escala 6 x 1, promulgado na sexta-feira (16), virou centro dos debates. Lula usa o tema contra Flávio, que mudou de posição e votou favoravelmente. A campanha petista prioriza o Sudeste e fará ato em São Paulo no sábado (24). A equipe reformulou as redes sociais e incluiu coordenadores do Nordeste. Na última semana antes do segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25), as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apostam nos debates e na mobilização nas ruas, principalmente nos estados do Sudeste, que concentram os maiores colégios eleitorais do país, para conquistar votos na reta final da disputa. Enquanto o petista pretende explorar medidas de apelo popular para tentar reverter a vantagem de Flávio, que recebeu mais votos no primeiro turno, o senador prepara uma ofensiva para rebater os ataques do adversário e intensificar a divulgação de suas propostas e reforçar que manterá programas sociais. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 45%, em situação de empate técnico. O levantamento da Quaest, divulgado na quarta-feira (14), também apontou empate técnico: 46% para o candidato do PL e 44% para o presidente. Diante desse cenário, a campanha de Lula avalia que há espaço para uma virada. Já os aliados de Flávio Bolsonaro, embora confiantes na vitória, reconhecem a necessidade de intensificar a mobilização para assegurar a vantagem. Flávio Bolsonaro prepara respostas e divulgação de propostas Na campanha de Flávio Bolsonaro, integrantes da equipe ouvidos pelo g 1 afirmam que o senador pretende intensificar as respostas aos ataques de Lula e explorar nas redes sociais trechos dos debates entre os dois candidatos previstos para a reta final da disputa. O último será realizado pela TV Globo, na sexta-feira (23). Nos últimos dias, parte da propaganda eleitoral e das publicações do senador se concentrou em rebater acusações de que, se eleito, cortará benefícios sociais. Agora, os aliados querem reforçar a divulgação de respostas a informações que classificam como falsas e, ao mesmo tempo, dar mais espaço às propostas do candidato. O plano de governo do senador não prevê cortes em programas sociais. A campanha de Lula, porém, associa esse risco às declarações de Flávio em defesa da redução dos gastos do Estado. Na avaliação da campanha, uma abordagem mais propositiva pode ajudar o candidato do PL a conquistar eleitores menos ideológicos, uma vez que os apoiadores mais alinhados à candidatura já estariam mobilizados. Fim da escala 6 x 1 pressiona campanha do senador Uma das principais apostas de Lula na reta final da disputa também se tornou um ponto de atenção para a campanha de Flávio: o fim da escala 6 x 1, promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16) após aprovação no Senado. Depois de terminar o primeiro turno com cerca de 2, 2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro (uma diferença de 1, 87 ponto percentual), o presidente atuou para acelerar a aprovação da proposta, que tem o apoio de 61% dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta semana. Na avaliação de interlocutores das duas campanhas, a discussão tem potencial para mudar votos e ampliou o espaço dedicado às propostas dos candidatos. Flávio Bolsonaro, que criticava a iniciativa, mudou de posição e votou a favor. A campanha de Lula passou, então, a explorar essa mudança para acusar o adversário de oportunismo. Na reta final, a campanha de Flávio também pretende reforçar a mobilização nas ruas, com atos em cidades consideradas estratégicas e planeja participar no sábado (24) de um ato em Belo Horizonte organizado por Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado reeleito com recorde de votos. Depois, seguirá para o Rio de Janeiro. Neste domingo (18), o senador também estará ao lado de Nikolas na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato é visto pela oposição como uma resposta à manifestação realizada no mesmo local, em apoio a Lula, na semana passada. A campanha também avalia promover atividades em cidades do Nordeste, região onde os aliados de Lula buscam reduzir a vantagem do presidente. Lula aposta em debates e mobilização nas ruas Integrantes do PT ouvidos pelo g 1 resumem a estratégia de Lula para a reta final do segundo turno em duas frentes: “debate e rua”. A campanha do PT deve manter o ritmo de mobilização, e o presidente pretende manter a agenda de viagens pelo país, com prioridade para o Sudeste. Para encerrar a campanha, o partido anunciou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24), véspera da votação. Nos debates, a aposta é destacar medidas de apelo popular, como a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana, o fim da escala 6 x 1 e o projeto que amplia o limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e prevê o perdão de dívidas da categoria. Lula também prometeu criar um programa Pé-de-Meia para universitários caso seja reeleito. Na avaliação de aliados, a campanha do presidente conseguiu assumir a iniciativa no debate político. Eles apontam como fatores positivos o desempenho nas redes sociais, o apoio de artistas e as mudanças na coordenação da campanha. Também consideram favorável a perda de espaço de temas como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master na discussão pública. “Isso aí não mexe com a vida do povo”, afirmou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, em referência a esses assuntos. “Enquanto o outro lado fica montando os gabinetes e os ministérios, a gente está na rua fazendo campanha.” A campanha do segundo turno também foi marcada por uma ofensiva nas redes sociais. Lula passou a gravar vídeos em formato de selfie e reuniu jovens influenciadores eleitos, como Ana Eliza (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), para ampliar sua presença nas plataformas digitais. Outra mudança foi a entrada de lideranças petistas do Nordeste no comando da campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, assumiu a coordenação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, ficou responsável pela agenda, enquanto o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a coordenar a comunicação.
Na reta final do 2º turno, Lula investe em medidas populares e Flávio reforça que manterá programas sociais
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