Move Motoristas alcançou menos de 20% do total previsto pelo governo

Move Motoristas alcançou menos de 20% do total previsto pelo governo

Quase três meses após o lançamento da linha de crédito voltada a motoristas de aplicativo , taxistas e entregadores, o programaMove Brasil , agora transformado em política permanente, ainda opera abaixo das metas iniciais do governo federal.

Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indicam que o volume liberado segue distante do total anunciado, com execução inferior a20% dos recursos disponíveis.

Criado com a promessa de ofertarR$ 30 bilhões em financiamento subsidiado para renovação de frota e ampliação do acesso ao crédito, o programa tem registrado adesão gradual, mas abaixo do esperado e liberou cerca de R$ 5 bilhões nos três meses desde que foi instituído. Leia também Brasil Move Brasil: governo libera financiamento de motos nesta segunda-feira Brasil Início do Move Brasil para entregadores e motoristas de app é adiado Milena Teixeira Lula tenta reagir a avanço de Flávio e sanciona PL para motoristas de app

Até agosto, cerca de 11% do montante havia sido efetivamente liberado, beneficiando pouco mais de 30 mil motoristas, segundo dados do governo.

Com a evolução das contratações nas últimas semanas, o volume desembolsado avançou,mas ainda permanece abaixo de um quinto do total projetado.

A diferença entre a meta e a execução levou o governo a reconhecer entraves operacionais e de adesão. Entre os principais fatores estão a dificuldade de aprovação de crédito para trabalhadores com renda instável, exigências bancárias consideradas restritivas e a demora na ativação de mecanismos de garantia, como o fundo garantidor.

Além disso, houve resistência de instituições financeiras em operar a linha nas condições estabelecidas, que incluemjuros abaixo da média de mercado.

Enquanto as taxas do programa giram em torno de 11, 5% a 12, 6% ao ano, o crédito convencional para esse público costuma superar 20%, o que reduz a atratividade para os bancos e impacta o ritmo de concessões.

A baixa execução também motivou ajustes no desenho da política. O governo ampliou o valor máximo financiável, de R$ 150 mil para até R$ 200 mil, e passou a permitir a compra de veículos seminovos, além de incluir novas categorias, como motoristas de transporte escolar.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan , reconheceu a baixa adesão ao programa e afirmou que o governo segue em contato com os bancos para tornar a medida mais atrativa para as instituições. Quem pode acessar a nova linha de crédito Motoristas de aplicativo com cadastro ativo em plataformas de transporte há pelo menos 12 meses; Profissionais que tenham realizado o número mínimo de corridas exigido pelo programa no período de habilitação; Taxistas com autorização regular para atuação no município; Cooperativas de táxi regularizadas; Beneficiários interessados na compra de veículos novos de até R$ 200 mil. Nova lei

Na segunda-feira (11/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que torna o Move Brasil permanente busca dar previsibilidade ao programa e ampliar sua escala ao longo do tempo. Inicialmente o programa estava instituído por Medida Provisória (MP) e perderia a validade na segunda.

A medida, segundo o governo, também reforça o papel da política como instrumento de estímulo econômico, ao movimentar a cadeia automotiva e facilitar a aquisição de veículos por trabalhadores do setor de mobilidade.

Apesar disso, o ritmo de execução segue como principal desafio. Internamente, segundo membros da equipe econômica, o governo avalia que a tendência é de aceleração nos próximos meses, à medida que parcerias com plataformas digitais e ajustes operacionais reduzam a burocracia.

Ainda assim, o desempenho inicial indica que a política deve levar mais tempo do que o previsto para atingir o volume total de crédito anunciado.

Tempo esse que o presidente não tem, já que o primeiro turno das eleições acontece em menos de 20 dias e o programa foi um aceno a uma parte relevante da base eleitoral do governo. Como a adesão foi baixa, o governo entende que o programa não atingiu a totalidade de público e, portanto, não tem tanto impacto eleitoral. Quais carros entram no programa

Entre os modelos que podem se encaixar nas regras do programa estão hatchs compactos comoFiat Argo, Volkswagen Polo, Chevrolet Onix, Hyundai HB 20 e Peugeot 208.

Na categoria sedã, aparecem opções comoChevrolet Onix Plus, Nissan Versa, Hyundai HB 20 S e Toyota Yaris Sedan. Já entre os SUVs elegíveis estão Volkswagen T-Cross, Fiat Pulse, Renault Kardian, Hyundai Creta e Nissan Kicks.

O programa também abre espaço para modelos híbridos e elétricos, que ganharam prioridade dentro da política industrial do governo.

Entre os veículos cotados para entrar na linha de financiamento estãoBYD Dolphin, BYD King, GWM Ora 03, Toyota Corolla Hybrid e Fiat Pulse Hybrid, desde que respeitem o teto máximo definido.

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