Mensagens trocadas antes da queda do helicóptero que matou o cantor Rick e outras 4 pessoas revelam preocupação com o tempo, segundo reportagem exibida neste domingo (27). O copiloto Leopoldo Teixeira e o piloto Antônio Araújo contataram o operador Juliano Luft, que enviou imagens de Lages e recomendou pressa antes da chuva.
O helicóptero Bell 430 decolou de Porto Belo às 11 h e colidiu na Serra Catarinense às 11 h 32, conforme registros de câmeras de segurança. Equipes de resgate levaram mais de 20 horas para achar os destroços na mata. A Polícia Científica usa drones para escanear e reconstruir a cena.
O engenheiro Jorge Medeiros avalia que falha mecânica é improvável. Correntes de ar descendentes ou erro humano sob mau tempo são hipóteses preliminares. Horas antes da queda do helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas, mensagens trocadas entre integrantes da tripulação e um operador de aeroporto revelam preocupação com as condições meteorológicas na região de destino.
Segundo reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (27), o copiloto Leopoldo Barros Teixeira procurou Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, onde o helicóptero faria uma parada para reabastecimento. O primeiro contato ocorreu às 6 h 59. Às 7 h 52, Luft enviou uma foto das condições do tempo em Lages.
Segundo ele, naquele momento havia condições visuais consideradas boas. Na sequência, também alertou a tripulação: "Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor". Minutos depois, o próprio comandante, Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, entrou em contato com o operador.
Segundo Luft, o piloto afirmou que sabia que o tempo estava ruim no destino e pediu fotos e um vídeo das condições meteorológicas em Lages. Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, com previsão de granizo, vendaval e raios.
A reportagem também informou que uma frente fria se aproximava da região. Fantástico refaz trajeto até local onde caiu helicóptero em que estava cantor RickHelicóptero decolou às 11 h Pouco antes da decolagem, o empresário Bruno Avelar enviou a um amigo uma foto feita dentro da cabine.
Na imagem, o comandante aparece diante do painel de controle. O Bell 430, prefixo PP-MGR, decolou às 11 h de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, com destino a São Joaquim. O plano previa uma parada em Lages para abastecimento. Após a decolagem, Juliano Luft tentou novamente entrar em contato com a tripulação.
Às 11 h 17, enviou uma mensagem para saber se eles já tinham uma estimativa de chegada e se fariam o abastecimento em Lages. A mensagem não foi respondida e, segundo ele, também não foi recebida. O último contato ocorreu antes de o helicóptero desaparecer. Câmeras de segurança de fazendas registraram o som da colisão às 11 h 32.
Rick: do menino que vendia picolés ao ícone sertanejoCinco pessoas morreram Estavam a bordo o cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. O Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros e, segundo a ANAC, estava com a documentação em dia e autorizado para voos noturnos e por instrumentos.
As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizar a aeronave. O helicóptero caiu em uma área de difícil acesso, em meio à mata fechada, em um trecho da Serra Catarinense a cerca de 1. 700 metros de altitude. Para chegar ao local, a equipe do Fantástico refez um trajeto que levou cerca de duas horas e meia de caminhada.
Perícia investiga causas da queda Imagens obtidas pelo Fantástico mostram os destroços espalhados pela mata. A Polícia Científica utiliza drones e um scanner tridimensional para reconstruir a cena da colisão e analisar a trajetória da aeronave. Segundo o perito criminal Fernando Henrique Ponzetti, a tecnologia permite simular a entrada do helicóptero na área de mata e analisar características da aeronave e dos destroços.
Dos mais de 15 metros de comprimento do Bell 430, restaram pouco mais de três metros após o impacto. O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou à reportagem que, pelas características do helicóptero, uma falha mecânica não seria a primeira hipótese analisada.
Ele também citou a possibilidade de influência das condições meteorológicas. Entre os fenômenos que podem ocorrer em regiões montanhosas está o downdraft, ou corrente descendente, quando o ar desce pela encosta e pode empurrar a aeronave para baixo. O especialista também levantou, de forma preliminar, a possibilidade de falha humana associada ao mau tempo.
A hipótese ainda não é uma conclusão sobre as causas do acidente. A investigação continua. Os responsáveis pelo caso buscam informações na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica trabalha na reconstrução da dinâmica da queda. LEIA TAMBÉM: Infância na roça do Tocantins e início da carreira: Rick falou sobre suas origens ao FantásticoAntes de Rick & Renner, cantor formou dupla com a irmã aos 10 anosGloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do FantásticoISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g 1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação.
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