A aprovação no Senado da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 x 1 ficou mais difícil depois do primeiro turno das eleições, avaliou a comentarista Miriam Leitão nesta terça-feira (6), no Bom Dia Brasil. 📱Favorite o g 1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo Miriam, a proximidade das eleições aumentava a pressão sobre os parlamentares.
Com o primeiro turno encerrado, esse fator perdeu força. “Agora é imprevisível, porque, na verdade, acabou o estímulo, o incentivo para votar a favor", afirmou. "Então quem ganhou, ganhou. Quem perdeu, perdeu. Eles não têm mais aquele medo da pressão do eleitor”, afirmou.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio. No segundo turno da votação, recebeu 411 votos favoráveis e 19 contrários. Estão previstas três sessões de discussão da proposta no Senado nesta semana. Lideranças da oposição, no entanto, articulam uma estratégia para esvaziar as sessões e evitar que haja quórum para a votação.
Na avaliação da comentarista, essa pode ser uma forma de a oposição evitar um posicionamento direto contra a proposta em meio ao segundo turno da eleição presidencial. Miriam afirmou que setores da direita também tentam evitar a imagem de que são contrários a direitos dos trabalhadores.
“Então talvez a estratégia seja esvaziar para não votar”, afirmou. Pressão de empresários Miriam também apontou a pressão de empresários como um dos fatores que dificultam a aprovação da proposta no Senado. Segundo ela, há críticas ao prazo previsto para que as empresas se adaptem às mudanças na jornada de trabalho.
O texto prevê dois meses para uma primeira redução da carga horária e um ano para a implementação da jornada de 40 horas semanais, com duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. “É muito mais difícil hoje aprovar essa proposta, porque a pressão dos empresários também é para o fato de que o projeto tem um tempo muito pequeno para adaptação”, disse.
A comentarista também citou como obstáculos o enfraquecimento político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e a situação do relator da proposta, Omar Aziz (PSD). Segundo Miriam, Alcolumbre saiu enfraquecido das eleições no Amapá após a derrota de candidatos que apoiava.
Ela também lembrou que Omar Aziz disputa o segundo turno das eleições no Amazonas e, por isso, pode ter menos espaço para se dedicar à articulação da proposta no Senado. “Ele está disputando a eleição no segundo turno no Amazonas. Então ele não vai se empenhar demais”, disse Miriam.
Para a comentarista, a soma desses fatores torna o resultado da votação mais incerto, apesar da ampla aprovação do texto na Câmara. “Tudo isso torna imprevisível o resultado da votação no Senado”, concluiu.

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