A Justiça dos EUA autorizou a saída voluntária da atriz brasileira Renata Mietto, presa pelo ICE há quase 2 meses na Califórnia. Ela ainda não tem data de retorno e segue detida. Mietto chegou aos EUA em 2016 com visto de estudante para cursar o ensino médio. Depois, ingressou em uma universidade no estado de Utah. Ao tentar transferir o curso para a Califórnia, ela descobriu uma irregularidade no visto. A brasileira acabou detida por agentes no aeroporto de Los Angeles. A prisão ocorreu em agosto, mês de recorde com mais de 50 mil detidos pelo ICE. A agência intensificou prisões após ordens de Donald Trump. Na prisão, a atriz sofreu maus-tratos e perdeu peso, segundo a mãe. As visitas são proibidas e o contato entre elas ocorre apenas por telefone. A atriz brasileira Renata Mietto vive um pesadelo nos Estados Unidos, país onde mora há dez anos. Mietto está há quase dois meses em um presídio na Califórnia, após ser detida no aeroporto de Los Angeles pelo ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega do país - que vem caçando imigrantes em situação irregular por ordem de Donald Trump. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g 1 no WhatsApp A brasileira, que concluiu o ensino médio nos EUA e cursa universidade no país, é portadora de um visto de estudante, que tentava renovar. Mas Renata acabou detida por agentes do ICE em meio a uma alta recorde de prisões de estrangeiros no país (leia mais abaixo). Sem chance de responder em liberdade a um processo de deportação, ela sofreu maus-tratos na prisão e perdeu muito peso, contou ao g 1 a sua mãe, a corretora Márcia Alves dos Reis. Nesta semana, a Justiça norte-americana acatou um pedido da defesa de Renata de saída voluntária — em que o estrangeiro é libertado sob o compromisso de embarcar imediatamente a seu país de origem. No entanto, ainda não há uma data prevista para ela deixar território americano. O desfecho foi uma mistura de alívio e tristeza, disse a mãe da atriz. "Ela terá de recomeçar do zero e deixar a faculdade", contou. "Sempre foi o meu sonho e o da minha filha estudar. Meu maior sonho era ter minha filha formada". Mietto chegou em 2016 aos Estados Unidos para cursar o ensino médio. Sua mãe contou que as duas já buscavam opções de intercâmbio estudantil nos EUA e, em uma feira de estudos, acharam uma escola que oferecia a possibilidade de que ela concluísse o colégio lá. "Eu disse que iria trabalhar muito para conseguir, e conseguimos", contou a mãe. Ao se formar, a brasileira ingressou em uma universidade no estado de Utah com o mesmo visto de estudante que recebeu ao viajar para os EUA. Mas, ao tentar transferir o curso para uma universidade da Califórnia para seguir a carreira de atriz, foi informada sobre uma irregularidade no visto. "Estávamos estudando as possibilidades e o que fazer quando ela foi presa", contou a mãe de Mietto, que se disse surpresa com a prisão dentro do aeroporto. "Ela já tinha entrado e saído do país várias vezes. E o que sabíamos é que só estavam 'pegando' pessoas com algum tipo de crime. Não foi intencional, isso não era o nosso intuito. Ela veio para cá com visto de estudante, legal. Sempre seguimos as regras", disse. A jurista Gisele Ambrosio, que presta consultoria ao Consulado do Brasil em Los Angeles, afirmou que casos de detenções em aeroportos têm crescido, e que os alvos são variados. "Nós estamos dizendo para qualquer pessoa que tenha algum processo pendente com a imigração que converse com seu advogado antes de pegar algum voo", disse Ambrosio ao g 1. No caso de Renata Mietto, sua mãe disse que a atriz buscou assessoria jurídica, mas advogados disseram não ver problemas na viagem. Recorde nas prisões Renata foi presa em um momento de alta nas detenções do ICE. Em agosto, mês em que a brasileira foi detida, as prisões bateram recorde: foram mais de 50 mil detidos. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump determinou uma caça a imigrantes em situação irregular. No total, agentes do ICE já detiveram mais de 500 mil pessoas nesse segundo mandato de Trump, de acordo com dados do Departamento de Segurança Interna dos EUA compilados pelo projeto Deportation Data, da Universidade da Califórnia e da Universidade Berkley. Desse total, cerca de 7. 200 eram brasileiros, ainda segundo o Deportation Data. "Eles estão julgando e condenando as pessoas no primeiro momento", disse Marcia Alves dos Reis. Desde que sua filha foi levada pelo ICE, ela ainda não conseguiu ver a atriz, embora consigam se falar ao telefone. Visitas são proibidas. "Eu não estou falando com ela por vídeo, porque ela perdeu muito peso e disse que não quer fazer chamada de vídeo para eu não ver como ela está", contou. "Ela disse que a comida é intragável, e, por isso, só come de vez em quando". Embora a Justiça tenha autorizado a saída voluntária de Renata Mietto, ainda não há data prevista para o retorno da atriz ao Brasil. Enquanto isso, a brasileira segue atrás das grades.
