Belo Horizonte – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “inaceitável” um documento do governo de Donald Trump durante as negociações para que não fossem aplicadas tarifas ao Brasil, em outubro de 2025. O governo americano fez uma série de pedidos para não implementassem tarifas de até 50% em produtos brasileiros, incluindo que “dissidentes políticos” no Brasil não fossem presos ou impedidos de participar das Eleições de 2026 e preferência aos norte-americanos na exploração de terras raras no Brasil.
“Esse documento que foi publicado é um documento velho, que já estava no nosso arquivo morto, porque foi a primeira comunicação que nós recebemos e recusamos. Nem discutimos o documento, que era inaceitável o documento de um país que teria prioridade na riqueza mineral do nosso país. Esse documento não foi discutido, não será discutido e não está discutido”, disse Lula em entrevista à Rádio Itatiaia, nesta quinta-feira (17/9), durante visita a Montes Claros (MG).
Os americanos tinham pedido informações prévias sobre a venda de minerais raros, preferência para empresas americanas e restrições a países vistos como adversários, como a China.
Sobre as eleições, Lula disse: “Nós temos o processo eleitoral mais seguro do mundo. O Trump, se tivesse utilizado o processo brasileiro, não teria o problema de ficar esperando vários dias pra saber o resultado eleitoral, aqui tem eleições, às 18 horas, às 20 horas nós já sabemos o resultado eleitoral, portanto, eu tô muito tranquilo”. Ele não citou diretamente o tema dos dissidentes. Leia também Manoela Alcântara Lula vai ao TSE contra Flávio após acusação de “dividir poder” com Moraes Igor Gadelha Há 2 semanas, Lula enviou Orçamento de 2027 sem reajuste do Bolsa Família Mundo Amorim leva carta de Lula a Xi Jinping em encontro com chanceler da China
A intenção dos EUA, segundo apuração doMetrópoles , era favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado há mais de 27 anos por liderar uma tentativa de golpe de Estado, e seus aliados que também foram condenados.
Este faz parte dos 21 pedidos feitos pelos americanos ao governo brasileiro, mas não foram aceitas pelo Itamaraty.

