Apontado pela Polícia Civil como líder de um grupo virtual investigado por exploração sexual de crianças e adolescentes, incentivo à automutilação e estupros virtuais, Nicolas Archanjo Silva, de 21 anos, o Naro (imagem em destaque), foi preso temporariamente em São Paulo .
A ordem judicial relaciona diretamente o investigado a um caso de estupro de vulnerável, gravado e posteriormente divulgado em canais na internet.
Segundo a decisão obtida pela coluna, a adolescente foi atraída até a casa de Nicolas e ingeriu uma bebida oferecida por ele. A substância teria reduzido sua capacidade de discernimento e reação. 4 imagens Fechar modal. 1 de 4
Líder de "panela" foi preso por determinação judicial Reprodução/Polícia Civil 2 de 4
Naro teria dopado e estuprado vítima de 16 anos Reprodução/Arquivo Pessoal 3 de 4
Ele já é investigado por outros crimes, fomentados no ambiente virtual Reprodução/Arquivo Pessoal 4 de 4
Vítima foi agredida fisicamente após abuso sexual Reprodução/Arquivo Pessoal
Nesse estado, ela teria sido submetida a atos sexuais sem consentimento, agressões e queimaduras com cigarros. Nicolas teria registrado o abuso em vídeo e espalhado as imagens em canais virtuais, prática chamada pelo grupo de “explanação”. Ele é monitorado pela Polícia Civil por outros crimes. O mandado de prisão, expedido pela Justiça, foi comprido segunda-feira (14/9) na capital paulista.
A defesa de Nicolas não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações. Leia também São Paulo Grupo nazista no Telegram é alvo do MPSP e da PM. Veja Andreza Matais Investigação sobre Deolane começou em 2019 com mensagens de Telegram Na Mira Pedófilo cobra Pix para compartilhar vídeos de crianças pelo Telegram Brasil Telegram remove grupos de venda ilegal de receitas e atestados médicos “Acordei com a câmera na minha cara”
Em um vídeo publicado após o episódio, obtido pela coluna, a vítima de Naro, de 16 anos, relata que não estava consciente quando o abuso começou.
“Eu nem tava consciente porque […] me desmaiou. Eu acordei com a câmera na minha cara já”.
Ela também afirma que o vazamento das imagens transformou a vida dela “num inferno.” A vítima fala ainda sobre ameaças posteriores à divulgação do vídeo.
A decisão judicial afirma que, mesmo depois do episódio, houve “reiteração de ameaças virtuais”, invasões de canais de áudio usados pela vítima e exposição contínua de conteúdo íntimo. Para a Justiça, os elementos reunidos apontam a “alta reprovabilidade das condutas delitivas” e a necessidade de impedir interferências na investigação. Grupo sob investigação
O documento aponta que o grupo END, no Telegram, era monitorado por disseminação de exploração sexual infantojuvenil, induzimento à automutilação, estupros virtuais e coação. A investigação atribui a Nicolas a liderança da estrutura e menciona notícias de outras possíveis vítimas submetidas a condutas semelhantes.
Nicolas foi preso temporariamente por investigação de estupro de vulnerável, crime classificado como hediondo. A decisão também registra antecedentes por infrações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas sem especificá-los

