O mercado de beleza movimenta bilhões prometendo retardar o tempo e “frear” o envelhecimento. Mas existe um processo que acontece silenciosamente dentro do organismo , acelerado pela alimentação do dia a dia, que nenhum creme anti-idade consegue reverter por fora se não for combatido por dentro. Esseprocesso se chama glicação, e ele começa sempre que o açúcar circulante no sangue encontra proteínas como o colágeno e a elastina , as estruturas responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele. Leia também Vida & Estilo Diabetes: nutricionista lista as melhores escolha para o café da manhã Vida & Estilo Guia das castanhas: nutricionista indica os benefícios de cada uma Vida & Estilo Os melhores alimentos para combater o inchaço, segundo nutricionista Vida & Estilo Nutricionista alerta para erros nutricionais que afetam a performance Entenda Quando o açúcar circulante no sangue encontra o colágeno, ele endurece a proteína, causando rugas e flacidez de forma irreversível. Embutidos, ultraprocessados e gordura trans criam um ambiente inflamado no corpo que envelhece não só o rosto, como também o cérebro e as artérias. Tomar suplementos ou usar cremes caros não adianta nada se o excesso de açúcar, álcool e carboidratos continuar desfazendo as fibras de sustentação. Alimentos ricos em antioxidantes e ômega 3 (abacate, azeite, chá verde, uva roxa e cúrcuma) funcionam como um escudo que desacelera a degeneração das células.
Quando essa reação acontece, são formados compostos chamados AGEs, sigla em inglês para produtos finais de glicação avançada. O colágeno afetado pelos AGEs fica rígido, frágil e perde a capacidade de se renovar normalmente. O resultado visível são rugas, flacidez e perda de elasticidade antes do tempo.
Uma analogia ajuda a entender: é como caramelizar açúcar numa frigideira. O processo é irreversível. Quando o açúcar reage com a proteína, a estrutura original não volta. E isso acontece aos poucos, ao longo de anos de alimentação, sem dor e sem sinal imediato. A reação do açúcar com o colágeno endurece as proteínas da pele e causa flacidez, acelerando o processo irreversível de envelhecimento O açúcar não é o único culpado, mas é o principal
A glicação acontece naturalmente com o envelhecimento. O que a alimentação faz é acelerar ou desacelerar esse processo. E a dieta moderna, com excesso de açúcar refinado, carboidratos processados e alimentos ultraprocessados, cria um ambiente interno altamente favorável à formação de AGEs.
Cada pico de glicose no sangue provocado por uma refeição rica em açúcar ou carboidrato refinado é uma oportunidade para mais glicação acontecer. Quanto mais frequentes esses picos, mais AGEs se acumulam nos tecidos, e mais rápido o colágeno se degrada.
O açúcar consumido não é a única fonte de AGEs. Eles também chegam prontos de fora, por meio de alimentos preparados em altas temperaturas: frituras, carnes muito grelhadas, alimentos tostados e ultraprocessados submetidos a processamento intenso de calor. Quanto mais dourado e crocante, mais AGEs o alimento tende a conter. Dietas ricas em produtos industrializados criam uma inflamação silenciosa que afeta tanto a firmeza do rosto quanto a saúde das artérias A inflamação crônica que envelhece por dentro
Dietas ricas em ultraprocessados, gordura trans, açúcar e pobre em fibras e antioxidantes alimentam esse estado inflamatório crônico. E a inflamação crônica está associada não só ao envelhecimento da pele, mas ao envelhecimento biológico de forma mais ampla, incluindo o declínio cognitivo, a rigidez arterial e a maior vulnerabilidade a doenças que costumam ser atribuídas simplesmente à idade. Ela simplesmente existe, em nível baixo e constante, corroendo células e tecidos ao longo do tempo. Refrigerantes, frituras e carnes processadas como bacon e salsicha acumulam fatores de destruição celular em uma única refeição Os alimentos que mais aceleram esse processo
Açúcar refinado e xarope de milho de alta frutose são os maiores promotores de glicação na dieta. Refrigerantes, sucos industrializados, biscoitos, bolos e sobremesas são as fontes mais óbvias, mas o açúcar escondido em ultraprocessados salgados também conta.
Gordura trans, presente em margarinas, salgadinhos, biscoitos recheados e fast food, está entre os compostos mais pró-inflamatórios disponíveis na alimentação e foi tão associada a danos celulares que muitos países já restringiram ou proibiram seu uso industrial.
Carnes processadas como salsicha, presunto, bacon e mortadela combinam gordura saturada, sódio elevado, conservantes e processo de cozimento em altas temperaturas, acumulando múltiplos fatores de envelhecimento em um único alimento.
Álcool em excesso gera estresse oxidativo, desidrata os tecidos e prejudica o sono, que é quando o organismo realiza boa parte dos processos de reparo celular. Alimentos ricos em ômega-3 e antioxidantes, como abacate, azeite e uva roxa, ajudam a blindar e frear a degeneração das células
A boa notícia é que a alimentação trabalha nos dois sentidos. Da mesma forma que certos alimentos aceleram o envelhecimento, outros o desaceleram de forma concreta.
O ômega 3, a vitamina C , os antioxidantes presentes em frutas vermelhas, uva roxa, cúrcuma, azeite extravirgem, chá verde, o abacate são alimentos altamente nutritivos e eficientes para conter o processo de degeneração das células. Nenhum suplemento ou creme caro consegue reverter os danos estéticos causados por anos de má alimentação A equação que ninguém gosta de ouvir
Envelhecer é inevitável. Envelhecer mais rápido do que o necessário não é. E a diferença entre os dois costuma ser construída ao longo de anos de escolhas alimentares que parecem pequenas no dia a dia mas que se somam de forma silenciosa nos tecidos.
Nenhum suplemento de colágeno vai resolver o que o excesso de açúcar está desfazendo. A lógica mais eficiente é a oposta: reduzir o que provoca a degradação e aumentar o que favorece a proteção. (*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida

