O frango pode ficar mais barato nos próximos meses, principalmente no atacado da Região Sul, após a suspensão das exportações de Santa Catarina por grandes compradores internacionais. Como o estado exporta 63% do que produz, parte da carne que seria enviada ao exterior pode acabar no mercado brasileiro, aumentando a oferta e levando os frigoríficos a reduzir os preços. A possibilidade de queda pode crescer no primeiro trimestre de 2027, quando o consumo costuma diminuir após as festas e as despesas de início de ano pesam no orçamento das famílias. Uma eventual redução no atacado, porém, pode não chegar integralmente aos supermercados, já que o varejo pode não repassar todo o desconto ao consumidor. Segundo o Itaú BBA, o tamanho do impacto dependerá da duração da suspensão das compras, mas deve se concentrar em Santa Catarina e no atacado da Região Sul. O frango pode ficar mais barato nos próximos meses, principalmente na Região Sul do Brasil, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, em Santa Catarina, avalia o banco Itaú BBA, em relatório divulgado nesta sexta-feira (23). O efeito deve ser mais perceptível no atacado e pode se intensificar no primeiro trimestre de 2027, quando o consumo doméstico costuma diminuir, diz o banco. Na prévia da inflação de outubro, também divulgada nesta sexta-feira, o frango em pedaços ficou 0, 71% mais caro no mês. Em 12 meses, porém, o preço acumula queda de 4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🔍A DNC é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em quadros graves, pode causar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária após contato direto com aves infectadas ou suas secreções; não há transmissão da doença pelo consumo de frango. A possibilidade de queda nos preços está ligada à suspensão das exportações de frango de Santa Catarina. China, Arábia Saudita, Chile e México, que estão entre os compradores do produto catarinense, anunciaram nesta semana que vão deixar de importar a carne produzida no estado. Santa Catarina está particularmente exposta porque exporta cerca de 63% do frango que produz, a maior proporção entre os estados brasileiros. Na média nacional, 37% da produção é destinada ao exterior. Com menos destinos disponíveis, frigoríficos catarinenses podem ter de vender no país parte da produção que seria enviada ao exterior. Isso tende a aumentar a oferta, principalmente na Região Sul, e pode levar as empresas a reduzir os preços para conseguir vender o excedente. Segundo o Itaú BBA, os frigoríficos também podem enfrentar acúmulo de estoques, aumento dos gastos com armazenagem e logística e maior pressão sobre o caixa. LEIA TAMBÉM: 'Frango não tem partido': por que o agro defende equilíbrio entre China e EUA após eleiçãoPreço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou na prévia da inflação de outubroPor que os preços podem cair após a virada do ano A possível entrada de mais frango no mercado interno ocorre em um momento em que a produção já está crescendo. De janeiro a setembro, foram abatidas 3, 7% mais aves do que no mesmo período de 2025. Já a quantidade de carne produzida cresceu ainda mais, 6, 2%, segundo estimativas do Itaú BBA. Para o ano inteiro, o banco espera que a produção avance cerca de 6%. Até agora, esse aumento da produção não derrubou os preços porque as exportações continuaram fortes e ajudaram a retirar parte do frango do mercado brasileiro. Além disso, como a ave segue mais barata que a carne bovina, muitos consumidores optam pelo frango, o que mantém a procura aquecida e dá sustentação aos preços. Esse equilíbrio, porém, pode mudar na virada do ano. Com as restrições às exportações, parte do frango que seria vendida a outros países pode ficar no Brasil, aumentando ainda mais a quantidade disponível. Ao mesmo tempo, o consumo costuma diminuir depois das festas, quando acaba o dinheiro extra do 13 º salário e despesas como impostos, matrícula e material escolar passam a pesar no orçamento das famílias. Com mais frango disponível e menos pessoas comprando, os preços podem cair, principalmente no atacado da Região Sul. Isso não significa, porém, que o produto necessariamente ficará mais barato nos supermercados, pondera o Itaú. Isso porque, mesmo que os frigoríficos reduzam o valor cobrado do atacado, o varejo pode não repassar integralmente esse desconto ao consumidor. O preço nos supermercados também inclui custos de processamento, transporte, armazenamento e comercialização. O Itaú ressalta ainda que o impacto sobre os preços dependerá, principalmente, de quanto tempo os países levarão para voltar a comprar o frango brasileiro. Em 2024, por exemplo, após um foco da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, a redução das exportações ficou concentrada em apenas um mês e os preços não caíram. Já em 2025, as restrições adotadas depois de um caso de gripe aviária foram mais amplas e duraram cerca de quatro meses, período em que os preços perderam força. Para o Itaú BBA, o episódio atual deve ficar entre os dois casos, com impacto concentrado em Santa Catarina e no atacado da Região Sul.
Frango pode ficar mais barato após caso de Newcastle em SC, diz Itaú
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