O ex-vereador Milton Leite, alvo de um mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta , se disse inocente de todas as acusações ao sair da delegacia em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo , no começo da noite desta sexta-feira (18/9).
“Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção que sou inocente. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito. A gente vai guardar essa decisão pacientemente. Temos que respeitar as decisões da justiça. Eu cumpri a decisão, me apresentei conforme prometido, conforme dito. Vim no dia que marquei, estou aqui sem nenhum problema”, disse na saída do local.
Ele se entregou e foi preso na Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes ( Dise ), na tarde desta sexta-feira (18/9), após a polícia considerá-lo foragido. Agora, ele vai para o Instituto Médico Legal para passar pelo exame de corpo de delito e, logo depois, transferido para a cadeia pública da cidade.
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas 3 de 7
Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB) Lucas Bassi/Rede Câmara SP 4 de 7
Vereador Milton Leite (União Brasil) Reprodução 5 de 7
Polícia Civil decretou prisão temporária de 16 investigados e expediu 18 mandados de busca e apreensão. Seis suspeitos ainda são procurados Richard Lourenço/Rede Câmara 6 de 7
Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo Richard Lourenço/Rede Câmara 7 de 7
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil) André Bueno/Rede Câmara
O ex-vereador era alvo de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça nessa quinta-feira (17/9), suspeito de gerenciar empresas de transporte público de São Paulo ligadas ao Primeiro Comando da Capital ( PCC ). Leia também São Paulo Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia São Paulo Em buscas por Milton Leite, polícia acha R$ 737 mil na casa de ex-assessor Alfredo Henrique Delegado ligado a Nunes é citado em guerra sindical envolvendo Milton Leite Vinicius Passarelli Milton Leite segue como administrador em grupo de zap de vereadores de SP
Durante as buscas por Milton Leite realizadas na manhã desta sexta, antes de ele se entregar, a Polícia Civil encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil (o equivalente a cerca de R$ 457 mil no câmbio do dia) — um total aproximado de R$ 737 mil — na casa de um assessor ligado ao ex-vereador. Operação Vectura Corrupta
A Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados por suspeita de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
De acordo com informações do delegado Fabricio Intelizano durante coletiva à imprensa, os investigados ficarão presos por 30 dias – prazo prorrogável por igual período. As investigações continuam para apurar a participação de cada um dos suspeitos no esquema.
Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira está entre os alvos e foi preso ainda na quinta. Outros 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital, no interior e no litoral paulista.
As investigações constataram que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais. Citação em depoimento à Corregedoria
O nome de Milton Leite foi mencionado em um depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Militar em fevereiro de 2026 pelo segundo-sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso naquele mês. Segundo o policial, o vereador seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo investigada por suposta lavagem de dinheiro para o PCC. Cezário declarou ainda que os demais integrantes da direção da companhia seriam usados como laranjas.
O sargento foi detido em uma operação que investigou policiais envolvidos na segurança de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, ambos ex-diretores da Transwolff. Entre os presos, havia também o capitão Alexandre Paulino Vieira, que, de acordo com o depoimento, fazia a segurança pessoal de Milton Leite.
À Corregedoria, Cezário afirmou que Alexandre Paulino passou a integrar a equipe responsável pela proteção dos dirigentes da Transwolff por indicação de Leite. Naquele período, o capitão ocupava o posto de assessor militar da Câmara Municipal de São Paulo e, segundo o depoimento, trabalhava diretamente com o então presidente da Casa. Trajetória política de Milton Leite
Milton Leite chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e construiu uma trajetória de sete mandatos consecutivos. Foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas eleições de 2016 e 2020, ficou entre os vereadores mais votados do país, ocupando a segunda posição nas duas disputas.
Ele presidiu a Câmara entre 2017 e 2018 e voltou ao comando da Casa de 2021 a 2024. Em julho de 2024, anunciou que não disputaria um novo mandato, sob a justificativa de já ter dado sua “contribuição para a sociedade”.
Atualmente, Leite preside o União Brasil no estado de São Paulo.
O político nega ter qualquer relação com o PCC. Sobre seus contatos com integrantes do setor de transporte, alegou que os encontros ocorreram em razão de sua atuação na área. “Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas (ex-prefeito de SP), em resolver a questão dos transportes”, declarou.

