Entenda operação contra esquema do PCC no transporte público de SP

Entenda operação contra esquema do PCC no transporte público de SP

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) deflagraram, nesta quinta-feira (17/9), a Operação Vectura Corrupta , contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital ( PCC ) no transporte público do estado. Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para alcançar os objetivos da facção .

Entre os alvos de prisão estão o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União), e o servidor da Prefeitura de São Paulo vinculado à SPTrans ,Levi dos Santos Oliveira . Leite não foi localizado e é considerado foragido, mas, em entrevista aoMetrópoles , ele negou ter fugido e disse estar em viagem de campanha eleitoral com um dos filhos . Ele promete se entregar em até 24 horas.

A operação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada deDecúrio . Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes da PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.

A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC . Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso deempresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais . Sócios laranjas e licitações direcionadas

Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo também teria promovidoajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos .

As facilidades no setor, segundo a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos. Candidato a deputado estadual, Danilo Morgado (PL) foi preso durante a operação desta quinta-feira. Morgado é investigado por envolvimento com o núcleo político do PCC. Segundo a polícia, a campanha dele ao pleito municipal, em 2024, foi financiada pela facção criminosa. Leia também São Paulo Há 18 dias Tarcísio agradeceu Milton Leite, alvo do MPSP: “Parceria enorme” São Paulo Milton Leite nega estar foragido e diz que vai se apresentar em 24 horas São Paulo Milton Leite é alvo de operação que apura elo do PCC com empresas de ônibus São Paulo Quem é Milton Leite, alvo de operação contra o PCC no transporte de SP

Os investigadores ainda citam encontros periódicos com ex-gestores do sistema público, como o servidor da SPTrans Levi Oliveira, e políticos que atuariam como responsáveis ou proprietários por empresas do setor, como Milton Leite, apontado como dono da Transwolf.

O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e compra/venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.

A investigação também aponta a existência de um núcleo chamado“Sintonia dos Gravatas”, composto por advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais, atuar em licitações, gerenciar repasses de comissões e disponibilizar contas bancárias e escritórios para reuniões de integrantes do esquema.

“Em síntese, os elementos descritos pela Autoridade Policial procuram demonstrar que a atuação investigada extrapolaria o tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, além de evidenciar suposta divisão de tarefas e subordinação entre os envolvidos, com atuação coordenada em benefício do PCC”, diz um trecho do documento. O que dizem Milton Leite e a Prefeitura de SP

Segundo Milton Leite, as alegações apresentadas pela polícia sobre encontros com Oliveira, ex-SP Trans, tinham relação com o período em que ele, então presidente da Câmara de Vereadores, assumiu interinamente a cadeira de prefeito da capital. Ele nega qualquer envolvimento com o PCC.

“Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”, declarou.

O ex-vereador reforçou que irá se apresentar nas próximas 24 horas: “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte.

Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A prefeitura informa ainda que abriu processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

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