O dono da Voepass, José Luiz Felício Filho, e outros 11 ex-funcionários da empresa foram denunciados pela tragédia que matou as 62 pessoas a bordo do voo 2283 , que caiu em agosto de 2024 em Vinhedo, no interior de São Paulo .
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal ( MPF ) à Justiça Federal de Campinas e aponta umasequência de problemas relacionados à manutenção das aeronaves e à gestão da segurança operacional da companhia . Ela foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada peloMetrópoles . Para o MPF, o acidente não pode ser explicado apenas pelo que aconteceu dentro da cabine nos minutos finais do voo. A procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez sustenta que haviaproblemas anteriores , incluindo falhas no sistema de degelo da aeronave e o despacho de aviões para rotas com previsão de formação severa de gelo . Segundo a denúncia, a empresa teria adotado práticas que contribuíram para esconder ou minimizar panes no sistema de degelo. O MPF afirma ainda que essas decisões estavam relacionadas a questões econômicas da companhia e aumentaram o risco para passageiros e tripulantes. Dono da Voepass está entre os denunciados José Luiz Felício Filho é apontado pelo MPF como uma das figuras centrais no caso. Segundo a denúncia, embora a companhia tivesse cerca de mil funcionários, Felício exerceria forte influência sobre a gestão da empresa e teria mantido uma estrutura formada por pessoas de confiança. O MPF também contesta a ideia de atribuir os problemas de segurança exclusivamente aos pilotos. De acordo com a procuradora, os pilotos enfrentariam uma cultura interna que dificultava o reporte de falhas e seguiriam orientações estabelecidas pela administração da companhia. Além de Felício, outros 11 ex-funcionários ligados às áreas de operação, manutenção, engenharia e segurança operacional foram denunciados. CEO ficou fora da denúncia Um dos nomes que não aparecem entre os denunciados é o de Eduardo Magalhães, que ocupava o cargo de CEO e diretor de Recursos Humanos da Voepass. O MPF pediu o arquivamento das acusações contra ele. Segundo a procuradora, Magalhães tinha formação jurídica e atuava principalmente nas áreas administrativa e financeira. Para o Ministério Público, não havia elementos suficientes para apontar que ele tivesse conhecimento técnico ou ingerência sobre setores como manutenção, controle operacional e despacho de voos. Dos 16 nomes que haviam sido indiciados pela Polícia Federal, quatro ficaram fora da denúncia apresentada pelo MPF. Quem foi denunciado José Luiz Felício Filho, diretor-presidente da Voepass; Marcos Hiroyuki Sato, despachante operacional responsável pelo voo 2283; Alex de Souza Leandro, mecânico; William Schmidt Agatz, gerente do Centro de Controle Operacional; Juliano Flores Pacheco, gerente do Centro de Controle de Manutenção; Raphael Limongi de Figueiredo, chefe do Centro de Controle Operacional; Marcel Sarquis Moura, diretor de Operações; Tiago Passucci Morani, gerente de Engenharia e inspetor-chefe; Carlos Alberto Costa, diretor de Manutenção; Eric Consoli, diretor técnico; Rafael Gimenez Rodrigues, piloto-chefe; David da Costa Faria Neto, diretor de Segurança Operacional. O que aconteceu com o avião O voo 2283 saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500 caiu em Vinhedo, cerca de 20 minutos antes do pouso. Não houve sobreviventes . Todas as 62 pessoas a bordo morreram, 58 passageiros e quatro tripulantes. 15 imagens Fechar modal. 1 de 15 2 de 15 Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos Reprodução/ FlightRadar 24 3 de 15 4 de 15 Destroços do avião da VoePass 5 de 15 Avião da VoePass após acidente em Vinhedo Arquivo Pessoal 6 de 15 Avião da VoePass após acidente em Vinhedo Arquivo Pessoal 7 de 15 Avião da VoePass após acidente em Vinhedo Arquivo Pessoal 8 de 15 Um avião da companhia Voepass, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo Secretaria de Segurança de São Paulo 9 de 15 Paulo Pinto/Agência Brasil 10 de 15 Todas as 62 pessoas a bordo morreram Allison Sales/picture alliance via Getty Images 11 de 15 Destroços de avião Reprodução 12 de 15 A partir das 13 h 21 a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo Reprodução 13 de 15 Ninguém sobreviveu Reprodução 14 de 15 Rapidamente, bombeiros e policiais se dirigiram ao local Eduardo Carmim/Getty Images 15 de 15 Carros da Polícia estacionados ao lado do local do acidente aéreo Eduardo Carmim/Getty Images A investigação apontou problemas no sistema de degelo do avião e uma inspeção preventiva que estava atrasada. A aeronave enfrentou formação severa de gelo durante o voo e acabou perdendo o controle. A investigação também apontou falhas na execução dos procedimentos de emergência pelos pilotos. Voepass: “Segurança operacional como princípio fundamental” Em nota, a Voepass afirmou que vai continuar colaborando com a Justiça e com as autoridades responsáveis pela investigação. A companhia destacou que, em mais de três décadas de atuação, manteve a segurança operacional como princípio fundamental. A defesa de José Luiz Felício Filho afirmou ainda que ele estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação quando ocorreu o acidente. Segundo os advogados, o empresário integrava o Conselho da Voepass e só retomou a gestão executiva depois da queda. A empresa e o executivo também disseram confiar no devido processo legal. Confira a nota completa da Voepass “A VOEPASS entende que, com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, o processo seguirá os trâmites previstos em lei, assegurando às partes envolvidas. A companhia seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo. Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a VOEPASS manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade. A defesa de José Luiz Felício Filho informa que tomou conhecimento do recebimento, pela Justiça Federal, da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e que se manifestará nos autos, no momento adequado, exercendo plenamente as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da VOEPASS e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente. Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos. O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283.”

