O deputado estadual Guto Zacarias (Missão-SP) protocolou no Ministério Público de São Paulo uma notícia-crime contra o candidato a deputado federal e ativista pró-Palestina Thiago Ávila ( Rede -SP), por supostamente retirar e adulterar a placa oficial da Rua Estado de Israel, na capital paulista, no domingo (20/9).
Na notícia-crime, Guto Zacarias sustenta que a alteração da sinalização pública ultrapassou os limites de uma manifestação política. Para o deputado, a placa pertence ao município e sua retirada ou adulteração configura dano ao patrimônio público.
A acusação também relaciona a frase colocada na placa à discriminação contra a comunidade judaica. Guto Zacarias argumenta que o ato ocorreu em Higienópolis, região que, segundo ele, abriga uma expressiva comunidade judaica paulistana.
Ao descrever o episódio, o deputado sustenta que Thiago D’Ávila “procedeu à alteração e adulteração de sinalização pública oficial, substituindo a placa oficial da ‘Rua Estado de Israel’ por uma placa adulterada com os dizeres ‘Palestina Livre do Rio ao Mar ’”. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3
Deputado da Missão, Guto Zacarias Alesp 2 de 3
Thiago D'Ávila 3 de 3
Segundo Guto Zacarias, a expressão “Do Rio ao Mar” representa uma defesa da eliminação de Israel e de seu povo. A partir dessa interpretação, o deputado argumenta que a conduta pode configurar prática ou incitação à discriminação ou ao preconceito contra judeus.
“O ato ultrapassa os limites da manifestação política e do debate público, ingressando na esfera criminal e eleitoral”, escreveu Guto Zacarias na notícia-crime. Leia também Grande Angular Bombeiros acham helicóptero e confirmam morte de Rick e mais 4 pessoas Grande Angular Juíza pede que a AGU explique o motivo de representar Janja judicialmente Grande Angular Candidata do PL impedida de entrar em casa tem direito condominial suspenso Grande Angular Veja momento em que helicóptero da PM faz buscas por Rick e empresário
Ao Ministério Público, o deputado pede o recebimento da notícia-crime e a responsabilização de Thiago Ávila pelos crimes apontados na peça. Caso o órgão entenda que não há elementos suficientes para apresentar denúncia, Guto Zacarias pede a abertura de inquérito policial ou de procedimento de investigação pelo próprio Ministério Público.
Thiago Ávila ganhou notoriedade em 2025 ao participar de uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. Ele estava a bordo do barco Madleen ao lado da ativista sueca Greta Thunberg e de outros integrantes do grupo quando a embarcação foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais. Os ativistas ficaram sob custódia e posteriormente foram deportados.Posicionamento de Thiago Ávila
Em posicionamento enviado à reportagem,Thiago Ávila negou que tenha retirado, destruído ou danificado a placa . Segundo ele, a ação consistiu na colocação temporária de um adesivo removível sobre a sinalização. Ávila afirmou que não houve quebra ou pichação e que o adesivo foi retirado em menos de uma hora, mantendo a placa íntegra.
O candidato também rejeitou a interpretação atribuída por Guto Zacarias à expressão “Palestina Livre, do rio ao mar” . Segundo Ávila, a frase não representa defesa da eliminação de Israel ou do povo judeu. Ele afirmou atuar em defesa dos direitos do povo palestino e na crítica política ao Estado de Israel e ao sionismo.
Ávila também declarou rejeitar “o antissemitismo e qualquer forma de violência ou discriminação contra a população judaica”.
Para ele, a notícia-crime apresentada por Guto Zacarias parte de premissas que não correspondem ao que ocorreu e representa, em sua avaliação,“uma tentativa de explorar eleitoralmente o episódio e gerar repercussão em torno de uma ação que não provocou qualquer dano ao patrimônio público” .

