Depressão oscila ao longo do tempo e pode ter recaídas mesmo quando tratada

Depressão oscila ao longo do tempo e pode ter recaídas mesmo quando tratada

*Aviso: esta matéria aborda temas como depressão e suicídio. Se você enfrenta problemas ou conhece alguém que está nessa situação, veja ao final do texto onde buscar apoio.

A depressão é um transtorno mental frequente que pode aparecer em episódios ao longo da vida. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a prevalência chega a cerca de 15, 5%. Mesmo com tratamento e melhora dos sintomas, o quadro pode voltar, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas passam por fases de melhora seguidas de piora.

De acordo com especialistas, a depressãonão costuma ser definida como uma condição com “cura” definitiva. O termo mais utilizado é remissão, quando os sintomas diminuem ou desaparecem por um período.

A psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia Sul, explica que isso não significa falha no tratamento.

“Muitas pessoas têm um episódio depressivo, entram em remissão e passam anos sem novos sintomas. Outras apresentam episódios recorrentes e precisam de acompanhamento mais prolongado”, destaca.

A pesquisadora Ana Paula Pena, da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que a recuperação pode ser completa, mas não elimina totalmente o risco de novos episódios. “A depressão é tratável e muitas pessoas se recuperam, mas algumas permanecem vulneráveis e precisam de estratégias contínuas de prevenção”, aponta. Por que os sintomas voltam

A recaída ocorre quando, após uma melhora significativa, os sintomas reaparecem e passam novamente a causar sofrimento e prejuízo no dia a dia. Segundo Renata, é precisodiferenciar esse quadro de oscilações comuns do humor.

“A melhora inicial não significa que a doença esteja totalmente controlada. O tratamento tem etapas e precisa ser mantido por um período adequado para reduzir o risco de novos episódios”, explica.

A depressão tem causas múltiplas, que envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, mesmo após resposta ao tratamento, a pessoa pode continuar suscetível a novas crises. Leia também Saúde Cão de assistência ajuda advogada a sair do isolamento na depressão Saúde Quando o bom desempenho no trabalho esconde a depressão Saúde Homem acreditava ter depressão, mas era falta de testosterona É o bicho! Depressão e ansiedade: cuidar de um pet ajuda, mas não substitui a terapia

Situações de vida e rotina também influenciam. Ana Paula cita queperdas, conflitos familiares, dificuldades financeiras, sobrecarga de trabalho, privação de sono, doenças físicas, uso de álcool e isolamento social podem contribuir para a piora dos sintomas. Interrupção da medicação ou da psicoterapia também aumenta o risco.

De acordo com a pesquisadora, parar o tratamento de forma abrupta pode levar tanto à volta dos sintomas quanto a efeitos físicos . “O sistema nervoso se adapta ao medicamento. A interrupção pode provocar tontura, irritabilidade, alterações do sono e outros sinais, por isso deve ser feita com acompanhamento médico”, afirma. 10 imagens Fechar modal. 1 de 10

A depressão é uma doença psiquiátrica caracterizada por tristeza profunda, sentimento de desesperança e pela falta de motivação e interesse em realizar qualquer tipo de atividade. Essa condição pode ser crônica, tornando a se repetir em vários momentos da vida, ou episódica, desencadeada por alguma emoção específica Fiordaliso/ Getty Images 2 de 10

A luta contra esse mal começa, inicialmente, na busca do paciente por ajuda. Em seguida, além do tratamento indicado por um especialista, mudanças no hábito de vida são essenciais para combater a doença Fiordaliso/ Getty Images 3 de 10

Um desses hábitos é ter boas noites de sono. Dormir bem é necessário para manter a saúde mental. Alguns estudos sugerem que pessoas com insônia são até dez vezes mais propensas a ter depressão Karen Moskowitz/ Getty Images 4 de 10

Manter-se longe de situações que podem causar estresse é outra recomendação. Apesar de parecer impossível excluir essa reação tão danosa das nossas vidas, uma vez que ela é provocada por fatores que não podem ser controlados, é possível gerenciar os nossos sentimentos durante situações estressantes. Autoconhecimento e certas técnicas ajudam a lidar com o problema Westend 61/ Getty Images 5 de 10

Realizar atividades físicas é outra indicação para quem tem depressão. Além de manter a cabeça ocupada e focada, exercícios ajudam o corpo a liberar endorfina, substâncias químicas que reduzem a dor e melhoraram o humor. Praticar dança, natação, vôlei ou qualquer outra atividade que você se interesse pode fazer toda diferença seksan Mongkhonkhamsao/ Getty Images 6 de 10

O álcool pode agravar sintomas depressivos em função de seus efeitos sobre o sistema nervoso central. Beber deixa o paciente menos propenso a seguir o tratamento contra a depressão. Também o coloca em situações mais propícias para ter problemas em casa ou no trabalho Peter Cade/ Getty Images 7 de 10

Manter distância de pessoas negativas é outro hábito que deve ser praticado por quem luta contra a doença. É muito importante ter uma rede de pessoas confiáveis com quem se possa conversar sobre a vida. Contudo, para pessoas que estão em um momento de fragilidade pode não ser adequado ficar repassando assuntos negativos Mixmike/ Getty Images 8 de 10

Se você não está se sentindo bem, procure permanecer ao lado de pessoas que o alegram e despertam sentimentos positivos Flashpop/ Getty Images 9 de 10

Assim como em qualquer outra condição, é preciso assumir o problema para que ele possa ser tratado. Portanto, se você está se sentindo deprimido, não deixe de buscar ajuda Jose Luis Pelaez Inc/ Getty Images 10 de 10

Geralmente, a psicoterapia costuma ser a primeira indicação para casos leves. Já para quadros moderados e graves, o uso de antidepressivos é a conduta mais indicada. Segundo especialistas, quando o tratamento é feito de maneira precoce, os resultados são muito melhores, proporcionando mais tempo livre de sintomas e redução da chance de novos eventos FatCamera/ Getty Images Sinais de alerta e prevenção

A piora nem sempre acontece de forma repentina. Muitas vezes, os primeiros sinais são discretos e aparecem no cotidiano. Entre eles estão perda de interesse por atividades, cansaço persistente, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, irritabilidade e isolamento. Pensamentos negativos recorrentes e sensação de desesperança também merecem atenção.

“Quando esses sinais começam a persistir ou interferir na rotina, é importante procurar ajuda antes que o quadro se agrave”, orienta Renata.

O acompanhamento contínuo é uma das principais formas de reduzir o risco de recaídas. O tratamento pode incluirpsicoterapia, medicação ou a combinação das duas abordagens , de acordo com cada caso.

Além disso, manter uma rotina de sono regular, praticar atividade física, preservar vínculos sociais e identificar precocemente mudanças no próprio comportamento ajudam a sustentar a melhora ao longo do tempo.

Para as especialistas, a principal mensagem é que a melhora não marca o fim do cuidado. A continuidade do acompanhamento é parte do tratamento e contribui para manter a estabilidade e a qualidade de vida.

*Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. Você pode ligar ou conversar pelo chat dos seguintes serviços: Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (24 h, ligação gratuita e sigilosa) ou pelo site cvv. org. br; Samu: 192 em situações de emergência médica; CRAS/CRAS locais e serviços de saúde mental do SUS também oferecem suporte psicológico.

Leia a matéria completa em metropoles.com

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