Crise no STF deve atravessar eleições sem resposta sobre Moraes

Crise no STF deve atravessar eleições sem resposta sobre Moraes

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF)deve atravessar toda a eleição presidencial sem uma resposta definitiva sobre o ministro Alexandre de Moraes .

O pedido de vista apresentado por Flávio Dino permite que ele fique com o processo por até 90 dias, prazo que ultrapassa tanto o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, quanto um eventual segundo, em 25 de outubro. Dino, porém, pode devolver o caso antes.

O Supremo encerrou a sessão extraordinária de terça-feira (15/9) sem decidir se Moraes será investigado pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro .

A Corte também deixou pendente se a conduta de Moraes deve ser analisada separadamente ou junto ao processo que discute a atuação de André Mendonça no caso do Banco Master.

Antes do pedido de vista, o placar estava em 4 a 3 pela tramitação separada.

Agora, ministros ainda tentam definir os próximos passos, inclusive diante do julgamento sobre Mendonça previsto para 23 de setembro, mas não há garantia de que Dino devolva o processo antes das eleições. Leia também Mundo Prefeito de Nova York convida Lula para reunião durante agenda na ONU Matheus Leitão “Dia deplorável”, diz Marina Silva sobre sessão do STF que julgou Moraes Brasil TSE proíbe uso da imagem de Bolsonaro em santinhos de candidatos Brasil Cármen Lúcia recebe flores de juízas após sessão no STF: “Não está sozinha” O calendário agora é este:15 de setembro : Dino pede vista e interrompe a análise;23 de setembro : STF tem sessão prevista para tratar do caso envolvendo Mendonça;4 de outubro : primeiro turno das eleições;25 de outubro : eventual segundo turno;Até 90 dias : prazo para devolução do processo pelo ministro, caso ele não antecipe a decisão.

A indefinição mantém o Supremo dentro da campanha.

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disseram aoMetrópoles enxergar um cenário de “ganha-ganha” . Se a investigação contra Moraes avançar, a campanha pretende explorar as suspeitas. Caso seja barrada, a estratégia será reforçar as críticas à atuação da Corte. Pesquisas mudam ambiente da campanha

O impasse se dá justamente em um momento de virada no ambiente das pesquisas.

A Quaest divulgada na segunda-feira (14/9) mostrou, pela primeira vez, Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno, com 42% contra 40%. Os dois permanecem tecnicamente empatados, diante da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula aparece com 36%, contra 31% do adversário.

O cenário não é uniforme entre os institutos. A CNT/MDA divulgada na terça mostrou Lula à frente no segundo turno, com 47, 3%, contra 40% de Flávio.

Ainda assim, a redução da distância em levantamentos recentes acendeu um alerta em setores da campanha petista.

Nos bastidores, governistas reconhecem que a campanha trabalhou durante parte da disputa com uma percepção de maior conforto diante de Flávio e que a demora para reagir às crises foi um erro .

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), por exemplo, tem criticado reservadamente a passividade e a desorganização da campanha e apontado que o PT passou quase uma semana sem responder à ofensiva que buscava associar Lula à crise no STF.

Em agosto de 2026, o deputado federal André Janones (Rede-MG) fez duras críticas e cobrou maior agressividade da esquerda, reclamando do que chamou de uma campanha “fofa” e passiva do PT nas redes sociais. Ele alertou que a esquerda não conseguia fazer frente à direita. 4 imagens Fechar modal. 1 de 4

André Mendonça está no centro do impasse que travou uma definição do STF sobre Moraes e prolongou a crise na Corte BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto 2 de 4

STF encerrou sessão sem decidir sobre eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes Alejandro Zambrana/STF 3 de 4

Lula passou a reagir mais diretamente à crise no STF em uma reta final marcada pelo aperto da disputa com Flávio LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova 4 de 4

Flávio Bolsonaro transformou a crise no STF em eixo da campanha e passou a associar Lula ao desgaste de Moraes HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto Lula reage e Flávio explora desgaste

A estratégia começou a mudar. A campanha de Lula encomendou pesquisas qualitativas para medir como a crise do Supremo chega ao eleitorado e ajustar o discurso do presidente.

Na quarta-feira (16/9), Lula também cobrou publicamente de Edson Fachin uma reação para conter os conflitos internos da Corte e evitar reflexos no processo eleitoral.

Do outro lado, Flávio incorporou o Supremo ao discurso da reta final e passou a explorar politicamente a crise que envolve Moraes.

A própria campanha avalia que o desgaste da Corte abriu espaço para manter o tema no centro do embate com Lula.

Se Dino usar todo o prazo de vista, os eleitores poderão chegar às urnas, inclusive a um eventual segundo turno, antes de o Supremo responder à questão que motivou a sessão extraordinária, isto é, se Moraes deve ou não ser formalmente investigado.

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