Um julgamento na Barra Funda foi anulado e remarcado para 2027 após confusão na quinta-feira (17). Vídeos mostram a discussão entre um promotor e advogados de defesa. O promotor Thomas Mohyico Yabiku acusou o advogado Renato Soares do Nascimento de empurrá-lo.
A defesa nega e alega que ele simulou a queda. O caso envolve o réu Emerson Silva de Brito, acusado de homicídio em 2024. O novo julgamento foi remarcado pelo juiz para 18 de março de 2027. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma confusão entre um promotor de Justiça e advogados durante um julgamento no Tribunal do Júri da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, na quinta-feira (17).
O g 1 teve acesso às imagens neste domingo (20) (veja acima). A audiência para julgar um réu preso, acusado de assassinato, acabou anulada e remarcada para 2027 em razão do bate-boca (saiba mais abaixo). Em uma das gravações, o promotor Thomas Mohyico Yabiku aparece caindo no chão do plenário após ficar frente a frente com o advogado de defesa Renato Soares do Nascimento.
Yabiku afirmou em ata ter sido empurrado pelo advogado. Renato nega a agressão e diz que o promotor simulou a queda. Em outro vídeo, o membro do Ministério Público (MP), discute com o advogado Mauro Ribas Junior, que estava na plateia e havia filmado a cena do promotor caindo.
Yabiku diz que foi xingado por ele, que nega. Confusão filmada As filmagens da confusão têm 3 segundos e mostram o promotor Yabiku e o advogado Renato, frente a frente. O promotor está bem próximo e o advogado _com o braço esquerdo para trás e o direito, apontado para o juiz.
Em seguida ocorre a queda de Yabiku, que alega ter sido empurrado. Renato nega. Não é possível saber se havia algum objeto ou obstáculo no chão. Dá para ouvir ao fundo "doutor", "parem" e "para com isso", mas sem identificar quem fala. O vídeo da confusão entre Yabiku e Renato foi gravado pelo também advogado Mauro Ribas, que não faz parte do processo que era julgado.
O juiz mandou-o sair do plenário. Do lado de fora, Mauro ainda filmou o promotor o seguindo. Yabiku também parece filmar o advogado. Os dois discutem. O g 1 não teve acesso ao conteúdo gravado pelo promotor e não conseguiu localizá-lo para comentar as declarações.
A equipe de reportagem consultou ferramentas disponíveis na internet para detectar conteúdo gerado por inteligência artificial (IA). As análises não identificaram sinais de que os vídeos divulgados pelos advogados tenham sido gerados ou manipulados por IA. MP apoia promotor A Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) do Ministério Público (MP) divulgou nota na sexta (18) em defesa de Yabiku e informou que "um dos defensores colocou-se agressivamente à frente do promotor de Justiça e o empurrou com o corpo, derrubando-o ao chão".
O órgão também alega que outro advogado passou a "gritar e a dirigir impropérios" contra Yabiku. O MP afirmou ainda que o promotor "não revidou" e que a continuidade do julgamento ficou impossibilitada depois que os advogados deixaram o plenário. A Procuradoria disse que os fatos serão apurados pelos órgãos competentes, com observância do devido processo legal.
Não há confirmação de que a Procuradoria-Geral de Justiça tenha tido acesso aos vídeos. Segundo a defesa, as gravações seriam posteriormente incluídas pelos advogados no processo para a apuração do caso. O júri não estava sendo filmado oficialmente pela Justiça.
Advogado diz que promotor simulou queda Em entrevista ao g 1 neste domingo, Renato afirmou que Yabiku simulou a queda durante a discussão que tiveram no plenário do júri. "Quando ele encosta na minha frente, e se joga para trás, simulando ali uma agressão", falou o advogado sobre o promotor.
"O vídeo está aí, eu nem encosto nele, ele se joga pra trás 'à la Neymar'." O jogador de futebol Neymar, do Santos e que atuou pela seleção brasileira, já chegou a ser criticado em algumas ocasiões por torcedores e comentaristas esportivos por supostamente simular faltas durante as partidas, se jogando e rolando no gramado.
O advogado Mauro Ribas Junior contou à reportagem por que decidiu gravar o bate-boca entre as partes. "O promotor veio de maneira agressiva, enquanto o Renato se dirigia ao juiz, e passou a 'peitá-lo', na frente da bancada da defesa", disse ele. "Não existe uma lei, uma norma que impeça um julgamento público de ser gravado." No segundo vídeo, feito já fora do plenário, Mauro fala para Yabiku: "Eu gravei você fingindo a queda lá, viu?
Eu gravei você fingindo a queda lá." O promotor responde: "Fingi? Você... o senhor será processado". O que diz a ata A ata do julgamento anulado registra versões diferentes sobre o episódio da condusão no plenário. O promotor afirmou que o advogado "passou a gritar" e o "empurrou com seu corpo (...) acabando por derrubá-lo ao solo".
Segundo a defesa, o promotor foi "de maneira ostensiva e intimidatória até a bancada defensiva" e depois "lançou-se ao chão e passou a atribuir falsamente ao advogado a prática de um empurrão". Apesar de Yabiku querer continuar o julgamento, Renato alegou que não estava se sentindo bem com aquela situação e não seguiria.
Coube ao juiz dissolver o Conselho de Sentença e remarcar o novo júri do réu para o ano que vem para 18 de março de 2027. O que será julgado A confusão interrompeu o julgamento de Emerson Silva de Brito, preso e acusado de participar da morte do catador Marcelo Edimar da Silva, de 26 anos, dentro do Autódromo de Interlagos, em novembro de 2024.
O caso também envolvia Francisco das Chagas de Sousa Alves, acusado pelo mesmo crime. Ele foi julgado em 5 de março de 2026 e absolvido pelo Tribunal do Júri. Naquele julgamento, Francisco teve Renato como advogado de defesa. Ele negou o crime. Emerson também é acusado de homicídio qualificado pela morte de Marcelo.
Segundo a acusação, eles teriam amarrado as mãos e os pés da vítima e a agredido até a morte. Ele também se diz inocente. A defesa de Emerson afirmou ao g 1 que pretende levar o caso da confusão com o promotor à Corregedoria do Ministério Público, ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Justiça: "Nós vamos oficiar a Corregedoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, o Conselho Nacional do Ministério Público e iremos mover uma queixa-crime no Tribunal de Justiça para que se apure a conduta do promotor", disse o advogado Renato.

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