Como influenciadora foi parar no comando de negócios da máfia italiana no Brasil

Como influenciadora foi parar no comando de negócios da máfia italiana no Brasil

O Fantástico deste domingo (11) mostrou que uma investigação conjunta das polícias do Brasil e da Itália revelou um esquema milionário de tráfico internacional de drogas ligado à 'Ndrangheta', uma das principais organizações mafiosas italianas. Entre os suspeitos de comandar o envio de cocaína para a Europa a partir de portos brasileiros estão a influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso, presos durante a operação.

Conhecida por compartilhar vídeos de sua rotina nas redes sociais, Paula é suspeita de ter assumido os negócios da máfia italiana no Brasil após a prisão do marido, Patrick Assisi, em 2019. Ele e o pai, Nicola Assisi, integrantes da organização criminosa, foram encontrados escondidos em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

A ascensão da influenciadora chamou a atenção dos investigadores porque, tradicionalmente, as mulheres não costumam ocupar posições de liderança na 'Ndrangheta'. "Pelas próprias regras da máfia, normalmente, a mulher não tem tanto protagonismo. Mas nesse caso, sim", afirmou o delegado Eduardo Verza.

Segundo a investigação, Paula teria contado com a ajuda do advogado Patrick Cardoso, que defendia os mafiosos presos e atuaria como intermediário entre eles e os integrantes da organização em liberdade. O esquema Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava a estrutura logística do Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar grandes quantidades de cocaína à Europa, escondidas em contêineres.

Doleiros também eram usados para movimentar o dinheiro do tráfico. Mesmo após a prisão de Nicola e Patrick Assisi, a organização teria continuado operando. De acordo com os investigadores, o advogado Patrick Cardoso se aproveitava do contato reservado com os clientes presos para transmitir orientações sobre os negócios criminosos.

"A esposa de um desses mafiosos trocava muitas mensagens com um advogado, que era quem os representava quando foram presos, tratando sobre fornecedores de droga, pagamento de dívidas. E conversas ali com um indicativo muito forte de atuação do narcotráfico internacional", afirmou o delegado Eduardo Verza.

A polícia encontrou fotografias de bilhetes produzidos dentro da Superintendência da PF em São Paulo. Neles, os mafiosos davam ordens sobre os negócios da organização, incluindo a cobrança de dívidas. Em uma das cartas, Patrick Assisi orientava Paula a enviar um comparsa conhecido como "BXX" para recuperar dinheiro e bens que pudessem ser vendidos.

O depoimento de um integrante da própria 'Ndrangheta', na Itália, também ajudou os investigadores a identificar uma nova liderança da organização no Brasil. Troca de mensagens Segundo a investigação, quando Paula e o advogado passaram a atuar à frente das operações, o grupo tinha mais de duas toneladas de cocaína em estoque.

Em conversas obtidas pela polícia, Paula aparece negociando o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa. As mensagens, trocadas em italiano por meio de um aplicativo utilizado por criminosos, mostram uma negociação sobre preço, qualidade da droga e transporte até Paranaguá.

Traficante: "Qual é o preço do seu material?"Paula: "4. 800, amigo."Traficante: "Em Paranaguá, certo?"Paula: "Eu vou tirar fotos esta semana, ok?"Traficante: "É importante que seja top."Paula: "Porém, para mandar para Paranaguá, com o frete, fica 5150, ok?" Para a polícia, as mensagens deixam claro que Paula e Eduardo eram os representantes dos Assisi fora da cadeia.

O que dizem as defesas A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva. O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela.

Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados. Segundo a polícia, o grupo comandado pelos mafiosos liderava um esquema de tráfico internacional de drogas que movimentou quantias incalculáveis de dinheiro.

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