A busca por realizar fantasias e apimentar o relacionamento longe dos olhos da sociedade virou um pesadelo implacável para praticantes do swing. Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (16/9), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), deflagrou a “Operação Arcanum” para romper o ciclo de chantagem e desarticular uma quadrilha especializada em perseguir e extorquir pessoas inseridas no universo swinger.
Veja explicação do delegado:
A dinâmica do golpe tocava na ferida mais sensível das vítimas: o medo do estigma social. Os criminosos infiltravam-se na rede social fechada, obtiam fotos, vídeos e conversas picantes mantidas entre os adeptos do meio swinger e, a partir daí, iniciavam uma tortura psicológica implacável . Leia também Na Mira PCDF estoura bordel sigiloso que atendia público da Esplanada na Asa Norte Na Mira Terapeutas da sacanagem oferecem “xerecada da alegria” em clínica no DF Na Mira “Xerecada da alegria”: clínica tem desfile para escolha de “terapeutas”
Exigiam grandes quantias em dinheiro sob a ameaça direta de enviar o material explícito para familiares, filhos, vizinhos e chefes de trabalho. O desespero daqueles que viam sua privacidade prestes a ser despedaçada alimentava o cofre do grupo, que usava o tabu do liberalismo conjugal como sua principal arma de extorsão. Denúncias silenciosas
Durante o desencadeamento da operação, as equipes da DRCC cumpriram três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão no Mato Grosso, além de mais um mandado de busca em Santa Catarina.
A investigação, que começou com denúncias silenciosas feitas no Distrito Federal, revelou que o cerco aos casais liberais se estendia por diversos estados do país. Os estelionatários montaram uma estrutura financeira articulada, pulverizando o dinheiro extorquido em contas digitais de laranjas para despistar o rastreamento bancário enquanto continuavam a ameaçar novas vítimas diariamente.
A escolha do nome “Arcanum” faz alusão direta aos segredos de alcova guardados a sete chaves pelos praticantes do swing, um universo onde o anonimato é a regra de ouro. Os investigados agora enfrentam acusações de extorsão, associação criminosa e divulgação não consentida de cena de nudez,cujas penas somadas podem chegar a 18 anos de reclusão.
Em nota, a DRCC orienta que qualquer pessoa atingida por chantagens semelhantes jamais ceda às pressões financeiras, interrompa o contato com os criminosos e procure imediatamente a Polícia Civil para formalizar a denúncia.

