Candidata ao governo do DF, Celina promete passe livre a inscritos no CadÚnico

Candidata ao governo do DF, Celina promete passe livre a inscritos no CadÚnico

Candidata à reeleição no Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) foi entrevistada pelo DF 2 na noite desta quinta-feira (15). Na entrevista, Celina voltou a se distanciar da crise do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB), e disse que o DF terá dinheiro para honrar todas as promessas da campanha – incluindo o passe livre para inscritos no Cadastro Único do governo federal para programas sociais (CadÚnico). O adversário de Celina no segundo turno, Leandro Grass (PT), será entrevistado também por 20 minutos no DF 2 desta sexta (16). A votação do segundo turno será no dia 25 de outubro. Na data, eleitores em todo o país e no exterior também decidirão o segundo turno da eleição presidencial, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Esta reportagem está em atualização. Veja abaixo como foi a entrevista de Celina Leão ao DF 2: Crise no BRB A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e os negócios com o Banco Master é um dos principais pontos de cobrança à candidata. Desde que ela assumiu o GDF, em 30 de março, não houve publicação do balanço do banco nem divulgação oficial sobre o tamanho das perdas relacionadas às operações com o Master. A candidata foi perguntada se a ausência dessas informações durante o período eleitoral poderia aumentar a desconfiança sobre a situação financeira do banco. Celina Leão afirmou que a divulgação do balanço financeiro do BRB não pode ser influenciada pelo calendário eleitoral. Segundo a governadora, o documento está diretamente ligado à operação de empréstimo buscada pelo banco e, por isso, só deve ser publicado após a conclusão da negociação. A candidata disse que a publicação do balanço, neste momento, poderia comprometer a situação financeira da instituição e contestou críticas de adversários políticos. "Essas pessoas não estão preocupadas com o banco. Estão preocupadas em fazer política", afirmou. Ela também negou que haja um cenário de desconfiança em relação ao BRB. Segundo ela, o empréstimo solicitado é de R$ 6 bilhões, com prazo de pagamento de 15 anos, e será quitado pelo próprio banco. Celina afirmou ainda que o BRB busca reaver recursos relacionados ao Banco Master. De acordo com ela, a instituição ingressou em ações para pedir ressarcimento de valores investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A governadora citou ainda créditos adquiridos pelo BRB junto ao Master que, segundo ela, somam cerca de R$ 9 bilhões e atualmente estão sob administração do liquidante. "São muitas nuances dessa questão. O BRB precisa ser tratado com muita transparência", disse. Outro ponto aborda as articulações feitas pelo governo para tentar solucionar a crise do BRB. Durante a gestão da candidata foram anunciados acordos para socorrer o banco, inclusive iniciativas que teriam aval do Supremo Tribunal Federal (STF), mas que não avançaram. Perguntada sobre o porquê das negociações não terem dado resultado e se existiam medidas ou anúncios relacionados ao banco que não estariam sendo apresentados durante a campanha. Celina Leão sugeriu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou se envolver diretamente na operação envolvendo o Banco Master devido às investigações em curso. A candidata citou reportagens sobre contatos entre integrantes do governo, dirigentes do PT e Daniel Vorcaro e afirmou que fatos revelados durante as investigações ajudam a explicar, na visão dela, a falta de apoio do Palácio do Planalto à operação. "Hoje eu entendo por que ele queria ficar distante dessa questão", disse. Celina mencionou ainda que as apurações tornaram públicos diálogos envolvendo dirigentes partidários e integrantes do governo relacionados ao tema. Segundo ela, a postura adotada pelo presidente buscou evitar associações com um caso que, afirmou, envolve diferentes agentes políticos e econômicos. Relações de Ibaneis com Vorcaro A governadora falou ainda sobre a relação do governo Ibaneis com o banqueiro Daniel Vorcaro. Na última semana, novos relatórios enviados pela PF mostram que a compra do Master pelo BRB começou a ser discutida em viagem à Suíça. Celina voltou a afirmar que tinha uma “inimizade” com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília preso na Operação Compliance Zero. “Essa decisão de compra do Master, eu fui contrária desde o começo. Eu achava que o banco, que o BRB não tinha que comprar um banco privado”, declarou. Proximidade e distanciamento com Ibaneis Rocha Celina também foi questionada sobre a aparente contradição entre descolar sua imagem do ex-governador Ibaneis Rocha nos aspectos negativos, mas pedir crédito por obras positivas. Vice de Ibaneis durante o segundo mandato, ela voltou a criticar as decisões do aliado político e afirmou que “não pode ser responsabilizada por erro de ninguém”. A candidata à reeleição disse ainda que reconhece avanços na gestão do antecessor, mas que a saúde não era uma prioridade. “Quantas vezes você a Globo cobriu o Ibaneis indo no hospital? Eu vou em hospital toda semana, é uma prioridade para mim”, declarou. Rombo no caixa do DF Segundo ela, os dados apresentados foram elaborados com base em informações da Secretaria de Fazenda e disponíveis no Portal da Transparência. Sobre a situação das contas do GDF, Celina Leão afirmou que, ao assumir o governo, encontrou um déficit de R$ 5 bilhões e negou que a coletiva realizada em 7 de agosto tenha tido caráter eleitoral. A candidata disse que o governo recuperou a capacidade financeira do Distrito Federal, mas ainda enfrenta dificuldades para executar despesas por causa de problemas no orçamento aprovado pela gestão anterior. Segundo ela, há recursos em caixa, mas faltam autorizações orçamentárias para realizar determinados pagamentos. De acordo com a governadora, o Executivo tem recorrido à Câmara Legislativa para aprovar créditos orçamentários que permitam quitar esses compromissos. A candidata também afirmou que a equipe econômica identificou cerca de R$ 4 bilhões em empenhos que não teriam sido executados. De acordo com Celina, o governo está cancelando despesas previstas, mas não realizadas, para reorganizar o orçamento e direcionar os recursos a áreas com pagamentos pendentes. "Nós recuperamos a capacidade financeira. A nossa maior dificuldade hoje é trabalhar com um orçamento que nós não fizemos", afirmou. Promessas de campanha Mesmo com as dificuldades no caixa e a baixa credibilidade do DF no mercado devido ao rombo no BRB, Celina tem prometido uma série de medidas como implementação de metrô e construção de novas UPAs. Questionada se vai conseguir cumprir as obras prometidas, Celina afirmou que o dinheiro para as obras virá da redução de despesas. Ela citou a mudança do governo para o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD) como uma das medidas já implementadas. A governadora afirmou ainda que todas as promessas têm viabilidade técnica. Um dos projetos é a ampliação do Vai de Graça. “O Vai de Graça no domingo gera receita porque começou a gerar comércio. De certa forma, a economia também reage quando você investe em áreas como essa”, explicou.

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