Em meio às chuvas do Rock in Rio 2026, imagens históricas relembram os desafios e os perrengues enfrentados pelo público na 1 ª edição do festival, em 1985. Teve chuva em 5 de seus 10 dias. O público enfrentou lama e, nos dias de sol, usou o chafariz para se refrescar.
Muitos acampavam nos arredores de Jacarepaguá e usavam orelhões. Um garimpeiro afirmou: ‘Abandonei o trabalho só pra vim curtir rock e voltar’. O evento de 1985 reuniu 1, 38 milhão de pessoas nos 10 dias. A 1 ª noite registrou o maior público, com shows memoráveis de Queen e Ney Matogrosso.
Em boa parte deste Rock in Rio 2026, o público se viu desafiado em vários momentos pela chuva, se protegendo com capas e outras estratégias. No Rock in Rio de 1985, o “Rock in Rio raiz”, a chuva foi um problema ainda maior, mas que nem sempre desanimava a multidão.
Imagens de telejornais da Globo da época mostram, sem precisar de filtros como os usados atualmente nas trends do Instagram e no TikTok, que os roqueiros aparentemente não se intimidavam muito com uma Cidade do Rock com muito mais lama do que a edição atual. Também eram driblados com bom humor perrengues como fila para o orelhão e camping sem chuveiro por perto.
Veja, abaixo, algumas das cenas: Lama e 'praia' Há registro de chuva em pelo menos 5 dos 10 dias do Rock in Rio 1985 — 13, 14, 16, 17 e 20 de janeiro. A data mais associada ao temporal e aos “lagos de lama” é 17 de janeiro de 1985, quando a precipitação caiu com especial intensidade sobre a Cidade do Rock.
Nas reportagens da época é possível ver imagens de roqueiros dançando em meio a muitas poças ou tentando se locomover. Quando o sol abriu, o desafio era o forte calor: o público invadia o chafariz ou transformava a Cidade do Rock em praia particular, com biquínis e sungas.
Camping Outra cena comum era a galera acampando nos arredores do festival, em Jacarepaguá. Teve até gente que saiu do garimpo para o rock e ficou 8 dias acampando durante o festival. As cenas do local mostram que nem sempre havia água disponível para o banho.
“Sou de Brasília. Sou garimpeiro. Agora eu estou vindo da Serra Pelada, abandonei o trabalho só pra vir curtir rock e voltar”, disse o rapaz. Após brincar que tinha trazido muitas riquezas garimpadas para gastar no festival, ele descreveu como é a experiência do camping do Rock in Rio na época.
“Curtir a festa 24 horas por segundo", disse o rapaz, misturando um pouco as medidas de tempo. Fila para o orelhão E você é daqueles que se irritam com sinal de internet ruim no celular ou quando acaba a bateria? Confira, acima, como era a fila dos orelhões do evento (telefone público em uma pequena cabine amarela movido a fichas e, nos anos 90, a cartões).
Mas valia a pena encarar, só para deixar um recado apaixonado para quem não podia ir. Só não parecia ser o caso de um entrevistado fanfarrão na fila, que se enrolou para responder ao repórter por que não trouxe a namorada. “Não [trouxe], tem muito brotinho aí.
Tá beleza, tá cheio de gatinha. Eu não vou perder". Moda sem filtro Uma reportagem de Ilze Scamparini mostra um pouco do que estava em alta na moda do festival. Entre os destaques estavam óculos divertidos e brincos de raio. A própria jornalista entrou na brincadeira e experimentou um dos modelos.
Sucesso de público O Rock in Rio 1985 recebeu oficialmente 1, 38 milhão de pessoas durante os 10 dias de festival, realizados de 11 a 20 de janeiro, o que equivale a uma média aproximada de 138 mil pessoas por dia. A primeira noite, 11 de janeiro, é apontada pela Memória Globo como a de maior público, com cerca de 470 mil pessoas na Cidade do Rock.
Apesar dos perrengues, o evento foi considerado um sucesso de público e que recebeu shows memoráveis, como os da banda Queen, Iron Maiden, Ney Matogrosso, Barão Vermelho e James Taylor.

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