A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Amauri Henrique de Oliveira, apontado pela Polícia Federal como responsável por transportar dinheiro de um esquema do PCC. Amauri Henrique de Oliveira, considerado foragido na Operação Exchange, é pai e tio de brasileiros que sofreram sanções do governo dos Estados Unidos na semana passada. A decisão judicial também determinou a prisão preventiva de outros cinco investigados, mas converteu a prisão temporária em soltura para Stella de Oliveira e mais seis pessoas. A Operação Exchange apura uma organização criminosa que movimentava recursos de tráfico internacional por meio de criptomoedas, empresas de fachada e transporte de dinheiro vivo. A Justiça dos Estados Unidos condenou a 12 anos de prisão o brasileiro Ygor Fokin Saviolli, apontado como um dos chefes de uma rede internacional de lavagem de dinheiro que ocultou mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) do tráfico de drogas para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A sentença foi confirmada pelo Departamento de Justiça americano (DOJ). O caso representa o desfecho judicial nos EUA de um esquema transnacional que também é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) no Brasil. Saviolli foi preso pelo FBI em um aeroporto da Flórida em janeiro deste ano. No Brasil, durante os desdobramentos da Operação Exchange, deflagrada pela PF em julho, a juíza Monica Aparecida Bonavina Camargo, da Justiça Federal em São Paulo, chegou a decretar a prisão preventiva dele. A ordem judicial, no entanto, não pôde ser cumprida em território nacional porque o brasileiro já se encontrava sob custódia das autoridades norte-americanas. A TV Globo tenta localizar a defesa de Ygor Fokin Saviolli. O papel de Saviolli no esquema De acordo com as investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas e pela Polícia Federal, Saviolli exercia papel de liderança operacional. Ele atuava diretamente na coordenação logística e financeira da rede, além de exercer o controle sobre rotas de distribuição de drogas. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a estrutura comandada pelo brasileiro movimentava recursos ilícitos gerados em várias cidades norte-americanas e utilizava criptomoedas e empresas de fachada para enviar o dinheiro de volta ao Brasil, alimentando a engrenagem financeira da facção criminosa. Conexão com a Operação Exchange e outros alvos No Brasil, Saviolli integra o mesmo processo que investiga o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada — descrito pela PF como um "doleiro moderno" e alvo de sanções econômicas do Departamento do Tesouro dos EUA por operar mais de 70 empresas para lavar dinheiro do crime organizado. Além de Saviolli e Shimada, o núcleo do grupo conta com: Amauri Henrique de Oliveira: foragido, apontado como responsável pela logística, transporte e recolhimento de dinheiro em espécie no Brasil; Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: filha de Amauri e ex-secretária de Shimada, que chegou a ser presa temporariamente pela PF e sancionada pelos EUA, mas teve a soltura determinada pela Justiça Federal por falta de fatos novos; Anderson Gonçalves Amaral, Diego Lameiro Diz e Romany Cutolo Bonente: operadores financeiros que também tiveram as prisões preventivas decretadas no Brasil. A Operação Exchange apura a prática de crimes como associação criminosa, lavagem de capitais e evasão de divisas por meio de transferências ilícitas de criptoativos, movimentações em contas bancárias de grande porte e transporte de valores em espécie. Na ação, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 10, 4 bilhões em bens dos investigados. *Sob orientação de Alexandre Bazzan.
Brasileiro é condenado nos EUA por chefiar esquema de lavagem de US$ 30 milhões do PCC
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