O reajuste do Bolsa Família vinha sendo defendido havia algumas semanas por alas do Ministério da Fazenda como forma de conter o mau humor do eleitor com a economia. O martelo, no entanto, só foi batido depois da crise no Supremo Tribunal Federal. Dentro da campanha do presidente Lula à reeleição, a percepção é de que o movimento tira a disputa política da arena do Supremo, desfavorável a Lula.
A participação ativa do ministro Flávio Dino para postergar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes dificultou a narrativa de Lula de que "todos devem ser investigados". Dino é, de todos, o ministro do Supremo mais associado ao presidente.
Foi uma das caras do governo em seu primeiro biênio, com estilo combativo à frente do Ministério da Justiça, e com participação importante no pós 8 de janeiro. O reajuste do Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno suscita críticas. Mas, a avaliação da campanha é de que elas não fogem dos contrapontos tradicionalmente feitos à gestão do PT.
Com ou sem o aumento, o cálculo é de que o governo já é lido como pouco preocupado com o fiscal. Mais de 19 milhões de famílias recebem o Bolsa Família. A medida impacta quase 50 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população brasileira. As últimas pesquisas têm mostrado uma insatisfação do eleitor com a economia, apesar de bons resultados dos indicadores, como baixa inflação e baixa taxa de desemprego.
A leitura no entorno de Lula é que, além de mudar a pauta da opinião pública, o reajuste funciona como um xeque na campanha de Flávio Bolsonaro: se criticar ou agir contra, ele corre o risco de perder votos. Desde o início do dia, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro tem descartado agir contra medida que beneificia tanta gente.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse à GloboNews: "Não estão preocupados com o que vai acontecer no país adiante. Irresponsabilidade fiscal é a tônica deste governo. E na hora que isso acontece vem as consequências, como os juros estratosféricos.
Vamos mostrar isso na campanha". Acabou que um deputado bolsonarista, Zé Trovão (PL-SC), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, o processo foi extinto po André Mendonça por Trovão não ser um agente qualificado para propor esse tipo de ação. A medida foi vista como individual do parlamentar, mas gerou um passivo para a campanha de Flávio Bolsonaro.
Nos últimos dias, a campanha do presidente Lula começou a tentar mudar o tom da pauta. Descontente com o controle da narrativa que Flávio Bolsonaro passou a ter com a crise no Supremo, articuladores do PT começaram a lembrar das crises do governo de Jair Bolsonaro e voltaram a atacar Donald Trump depois da inclusão de críticas ao Brasil no combate ao tráfico de drogas.

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