O avanço das investigações daOperação Carbono Oculto fez com que o Banco Genial adotasse condutas para tentar se desvincular do esquema e dissimular a estrutura financeira .
A instituição foi fundamental para a aquisição de uma das principais distribuidoras de combustíveis do país, a Terrana ( veja mais abaixo ).
Segundo o Ministério Público de São Paulo ( MPSP ), o ex-sócio e ex-diretor do banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá, integravam onúcleo financeiro da organização .
A investigação descobriu que empresas pertencentes a André e Bruno (a AT Assessoria e a BT Assessoria) receberam repasses diretos deR$ 469. 250 cada, oriundos da Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis alvo da primeira fase da Carbono Oculto . 9 imagens Fechar modal. 1 de 9
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MPSP deflagra operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, em SP e mais 6 estados Divulgação/MPSP 5 de 9
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Divulgação/Receita Federal Movimentação circular do dinheiro
Segundo as investigações, em agosto de 2024, o Banco Genial assumiu a administração do fundo multimercado Radford, que tinha como cotista única e exclusiva aUsina Itajobi , localizada no interior de São Paulo e instrumentalizada para a movimentação de valores vultuosos, mais tarde usados para a compra da Terrana .
O fundo Radford, por sua vez, foi abastecido com valores repassados à usina pelos operadores do esquema criminoso e, em seguida, aplicou seus recursos em Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) emitidos pelo próprio Banco Genial.
O grupo gerou uma movimentação circular dos valores para ocultar os verdadeiros beneficiários e dar uma aparência de legitimidade.Veja: O Banco Genial utilizou o lastro dos CDBVs para conceder empréstimos, por meio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), a duas empresas de fachada constituídas com capital de apenas R$ 1. 000, 00 – a Berna Holdings e a Branson Holdings. Os recursos dessas CCBs foram integralmente direcionados para comprar a Branson Oil, controladora da Terrana, e o fundo imobiliário Derby 44. Como os CDBVs do banco eram financiados pelo fundo da própria usina (dinheiro vindo do esquema criminoso), o dinheiro do “empréstimo” concedido pelo Genial às holdings era, na verdade, o próprio recurso da quadrilha. Leia também Mirelle Pinheiro Alvo da Carbono Oculto operou repasses de Vorcaro para Dark Horse São Paulo Carbono Oculto: agentes apreendem documentos em gigante dos combustíveis São Paulo Carbono Oculto: entenda esquema alvo de nova fase da operação São Paulo Carbono Oculto: fintech e usina ocultaram compra de gigante de combustíveis Banco Genial tentou se desvincular do esquema
Logo após a deflagração da primeira fase da Carbono Oculto, o Banco Genial renunciou à administração do fundo Radford, liquidou os Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) e cedeu os créditos das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) diretamente ao próprio fundo.
Segundo os investigadores, na tentativa de se distanciar da estrutura criminosa, essa manobra expôs o caráter dissimulatório da operação , já que removeu a “fachada” bancária de empréstimo e mostrou o vínculo direto do fundo da Usina Itajobi às empresas de fachada usadas na compra da Terrana.
A intercepção de mensagens indicou negociações diretas de agentes do Genial com operadores sob a liderança de Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Os operadores da estrutura criminosa eram chefiados pelos empresários Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Os dois seguem foragidos da Justiça .
As conversas teriam sido excluídas por executivos após receio de fiscalização por parte da Secretaria da Fazenda ( Sefaz ) sobre os pagamentos da Aster para quitar o empréstimo. Esta foi uma das formas do Genial de tentar dissimular sua participação no esquema.
A investigação também identificou que o próprio setor de compliance do banco havia identificado ressalvas e processos de responsabilização na Comissão de Valores Mobiliários ( CVM ) envolvendo operadores do esquema, como Antonio Carlos Freixo Júnior, dono do Grupo Entre Investimentos. No entanto,o Genial ignorou os avisos do compliance e optou por prosseguir as operações . Banco diz contribuir com investigações
Em nota, o banco Genial afirmou que todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição, foram fornecidas pela própria Genial ao Gaeco. Também foram realizadas as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
“No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época”, disse a instituição, que afirma ter instaurado processo de inspetoria interna ao ter conhecimento dos fatos.
O banco ainda confirmou que, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford. A empresa acrescentou que “manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados”.

