A recuperação de Lula (PT) no Sudeste, sinalizada pela pesquisa nacional Quaest de 21 de setembro, ganha contornos mais claros nos levantamentos estaduais divulgados nesta quarta-feira (23). Minas Gerais e São Paulo mostram oscilação positiva do presidente no segundo turno e na avaliação do governo.
O Rio de Janeiro segue em outra direção, com ampliação da vantagem de Flávio Bolsonaro (PL). O Sudeste se movimenta, mas não em bloco. Minas oferece a síntese mais importante. No início do mês, Flávio havia passado numericamente à frente no segundo turno, com 40% contra 37% de Lula.
Agora, o presidente chega a 40%, enquanto o adversário mantém o mesmo percentual. Se o estado continua funcionando como termômetro brasileiro, a temperatura é de uma eleição aberta e numericamente empatada. No primeiro turno mineiro, os dois candidatos avançam.
Lula passa de 31% para 35%; Flávio, de 27% para 30%. A soma dos dois cresce de 58% para 65%, enquanto Augusto Cury (Avante) recua de 8% para 5% e Romeu Zema (Novo), ex-governador do estado, de 6% para 2%. Os indecisos caem de 15% para 13%. Clique aqui para ver os números detalhados.
O movimento sugere concentração das preferências nos dois principais competidores, embora a pesquisa não permita afirmar que foram exatamente os eleitores desses candidatos que migraram. VEJA TAMBÉMVeja os números detalhados da Quaest sobre a eleição presidencial em MGVoto pendular: o que pensa o eleitor de MG, estado 'termômetro' da eleição A avaliação do governo reforça o sinal de recuperação em Minas Gerais.
Na comparação com agosto, a aprovação sobe de 41% para 44%, e a desaprovação recua de 52% para 49%. O saldo continua negativo, mas a distância entre os dois indicadores cai de 11 para 5 pontos. Em São Paulo, a melhora de Lula aparece com mais clareza na simulação de segundo turno.
O presidente passa de 33% para 36%, enquanto Flávio oscila de 41% para 42%. A vantagem do senador diminui de oito para seis pontos. Flávio continua à frente no maior colégio eleitoral do país, mas Lula reduz sua desvantagem. Essa melhora não se reproduz da mesma forma no primeiro turno paulista.
Flávio avança de 31% para 34%; Lula, de 30% para 31%. Cury tem 7%, Caiado (PSD), 4%, Renan Santos (Missão), 3%, e Zema, 1%. Na avaliação do governo, em relação a agosto, a aprovação de Lula passa de 37% para 40%, e a desaprovação cai de 58% para 55%. Há alívio para o presidente, mas ainda dentro de um ambiente majoritariamente desfavorável.
O Rio impõe um limite à leitura de recuperação regional. No primeiro turno, Flávio passa de 34% para 37%, enquanto Lula oscila de 32% para 30%. No segundo, o senador vai de 43% para 44%, e o presidente, de 37% para 36%. A distância aumenta de seis para oito pontos.
A avaliação do governo também piora numericamente: ante agosto, a aprovação recua de 40% para 37%, e a desaprovação sobe de 51% para 56%. As variações precisam ser lidas à luz das margens de erro: dois pontos em São Paulo e três em Minas e no Rio. O conjunto dos indicadores permite identificar sinais e diferenças regionais, sem transformar cada oscilação em uma mudança consolidada.
Há, porém, um movimento comum aos três estados: as escolhas estão se tornando mais firmes. Entre os eleitores que indicam um candidato, a proporção dos que consideram o voto definitivo passa de 71% para 81% em Minas, de 74% para 80% em São Paulo e de 77% para 82% no Rio.
A eleição entra na fase em que convencer alguém a mudar se torna mais difícil, e mobilizar quem já escolheu ganha importância. É nesse cenário que três fatores podem fazer diferença: O primeiro é o engajamento: transformar preferência em comparecimento. A campanha vitoriosa provavelmente vai ser, como tenho dito desde o começo desta eleição, a que tirar o eleitor de casa.
O segundo é o voto útil de quem hoje escolhe Cury, Caiado, Renan ou Zema. Esses quatro candidatos ainda somam 13% em Minas e 15% em São Paulo. Parte desse eleitorado poderá fazer um cálculo estratégico na reta final, aumentando a polarização. Mas não há transferência automática nem destino único para esses votos.
O terceiro é o debate da Globo, na próxima semana, em horário nobre. Num momento de maior atenção e de escolhas ainda em consolidação, o confronto pode reforçar convicções, mobilizar apoiadores e influenciar quem ainda considera mudar. A recuperação de Lula em Minas e São Paulo preserva a competitividade da disputa.
A vantagem de Flávio no Rio mostra os limites dessa reação. E Minas, com 40% para cada lado no segundo turno, deixa o recado: a eleição permanece aberta. O que acontecer na reta final pode definir de que lado esse equilíbrio será rompido.

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