ANÁLISE: Keiko adota nas escolas do Peru a cartilha autoritária de Bukele

ANÁLISE: Keiko adota nas escolas do Peru a cartilha autoritária de Bukele

O autoritário presidente de El Salvador, Nayib Bukele, fez escola no Peru comandado pela conservadora Keiko Fujimori. Empossada há dois meses, a presidente ordenou um código rígido de vestimenta para os estudantes do ensino público, que determina a proibição de maquiagem no rosto, esmalte nas unhas, tintura no cabelo e saias curtas às meninas e cabeleiras aos meninos.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g 1 no WhatsApp A disciplina, segundo alega Keiko, precisa voltar às escolas. O objetivo declarado do governo é combater a violência e o bullying em sala de aula. Para isso, ela buscou inspiração no homólogo salvadorenho, de quem é declarada admiradora.

No ano passado, Bukele estabeleceu novas regras de conduta escolar em seu país, conforme relatou este blog. “Comportamentos que põem em risco a segurança de crianças e adolescentes exigem uma resposta firme, oportuna e responsável. É por isso que estas diretrizes incluem sanções e repreensões proporcionais, com o princípio de penalidades graduais”, justificou a presidente peruana.

Bukele proibiu os cortes de cabelo moicano e o conhecido como “Edgar”, impondo requisitos de apresentação e comportamento nas escolas. Em comum, ambos os presidentes procuram fortalecer a autoridade dentro dos estabelecimentos educacionais, com sanções severas que restabelecem as expulsões por infrações graves e as notas de conduta.

A repressão ao cabelo comprido ou tingido, à minissaia e à maquiagem e a unhas pintadas dentro da sala de aula parece ser superficial diante da plataforma para restaurar a ordem no país, vendida por Keiko. Herdeira do fujimorismo, a presidente prometeu enfrentar os problemas do país, mas seu novo código escolar espalhou críticas entre opositores e defensores dos direitos humanos, que apontam sexismo e questionam a eficácia das medidas.

“Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?” indagou a senadora Ruth Luque, do Ahora Nación. “A educação pública precisa de uma política séria de convivência, proteção de direitos e medidas claras para evitar espaços de violência, e não de ter a disciplina medida pela aparência de seus alunos.” As novas diretrizes surgiram na esteira de um estupro de um adolescente de 16 anos por outros alunos de uma escola naval dentro de um ônibus escolar.

Seis estudantes tiveram pena de prisão preventiva de quatro meses decretada, enquanto a violência escolar ganhava espaço no debate público. Nos últimos oito meses, o Ministério da Educação registrou cerca de 12 mil casos de violência em colégios. A presidente interveio com a justificativa de combater a violência, o assédio e as condutas que prejudicam a convivência em sala de aula e vinculou o combate ao problema à vestimenta dos alunos.

"Sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida." Há controvérsias.

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