A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, cerca de 48 h após a derrota nas eleições, na última terça-feira (27) reforça a avaliação de que sua candidatura à Presidência também tinha um objetivo de autoproteção, em busca de blindagem diante das investigações que envolvem o senador. GloboPop: veja os vídeos do palco da Andréia Sadi Segundo relatos de pessoas ligadas a Flávio, ouvidas pelo blog, ele dizia até segunda-feira à noite que permaneceria no país para liderar a oposição. A mudança de planos surpreendeu aliados e deixou sem resposta o que será feito com os quase 60 milhões de votos que ele recebeu no segundo turno. Há duas frentes de investigação que precisam ser acompanhadas. Uma delas envolve o Master, o financiamento de 'Dark Horse' e o fundo Havengate, nos Estados Unidos. Investigadores ouvidos pelo blog apontam a necessidade de esclarecer a origem e o destino do dinheiro e apurar eventuais crimes como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, entre outros. Havengate, inclusive, significa "refúgio". A outra envolve o advogado Willer Tomaz, personagem considerado fundamental para entender as relações políticas e financeiras que cercam o senador. É impossível falar do advogado Willer Tomaz sem falar de Flávio Bolsonaro. Todo mundo que cobre política em Brasília sabe disso. SAIBA MAIS: Veja quais são as investigações contra Flávio BolsonaroO futuro da direita no Brasil A saída de Flávio também abre espaço para uma reorganização da direita sem o protagonismo da família Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por exemplo, já soltou um vídeo defendendo que a política siga em frente. Um aceno claro a 2030. Até porque não existe espaço vazio na política — e o próximo ciclo já começou. Essa direita foi sequestrada pela família Bolsonaro — e se deixou virar refém. Antes da saída de Flávio para os EUA, a pergunta era como articular uma nova liderança na direita diante dos 60 milhões de votos depositados no senador. Agora, o caminho parece livre. Lideranças da direita ouvidas pelo blog já discutem o dia seguinte sem o bolsonarismo e veem em Tarcísio um possível nome para liderar esse movimento. A nova composição do Senado também estará no centro das articulações, em um Congresso eleito com perfil majoritariamente à direita.
ANÁLISE: Flávio não é um problema de política, mas de polícia
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