A nova (velha) China

A nova (velha) China

Em 2019, fui convidado para uma conferência em ­Diaoyutai, a casa de hóspedes do Estado chinês, no recinto onde ­Kissinger foi recebido por Zhou Enlai em 1971. O lugar tem mais de 800 anos. Começou como plataforma de pesca de um imperador da dinastia Jin e é hoje o rosto que Pequim mostra ao estrangeiro que convém impressionar. A poucos quilômetros fica Zhongnanhai, o antigo jardim de recreio dos imperadores, encostado à muralha ocidental da Cidade Proibida. Foi para esse jardim, e não para o trono vazio ao lado, que o Partido Comunista levou o poder. A Cidade Proibida virou museu, aberto às multidões. O poder real mudou-se para as traseiras e ergueu novos muros. Em 1972, a abertura ao Ocidente percorreu essa geografia. Nixon ficou em Diaoyutai, mas o aperto de mão que mudou o século foi com Mao, dentro de Zhongnanhai. A fachada e o santuário do poder, separados por poucos quilômetros e por todo o resto. É esta a China que se tem diante dos olhos: um jogo de espelhos. Por fora, a potência que retomou o seu lugar histórico no topo do mundo; por dentro, labirintos onde se escondem incertezas que podem emergir no próprio apogeu.

Leia mais em:

Leia a matéria completa em exame.com

Recomendadas

Geral

Raposo Tavares e Rodoanel têm trechos bloqueados por acidentes com carretas

Geral

Covardia e fuga de Flávio garantem mais uma vergonha aos bolsonaristas

Geral

Erika Hilton ganha liminar para suspender vídeo de tapa de Nikolas Ferreira

A nova (velha) China | BlinkNews