Fim de novembro de 2023. Nas ruas de Buenos Aires, milhares de pessoas comemoram a vitória de Javier Milei como presidente da Argentina, encerrando quatro anos do peronismo de Alberto Fernández. O clima é de esperança no câmbio, a mudança tão propalada pelo candidato. De lá para cá, ele cumpriu sua palavra. Tocou uma agenda feroz de ajuste fiscal, estimada em cinco pontos percentuais do PIB, e derrubou de 25% para 1, 9% ao mês a inflação. Para isso, ele cortou investimentos em obras públicas, reduziu subsídios às tarifas de energia e transporte e enxugou programas sociais. E uma dúvida reinava: com uma agenda tão impopular, até quando Milei teria boa aprovação? A pergunta é essencial a pouco mais de um ano das eleições presidenciais, em novembro de 2027. Quando perguntados sobre suas principais preocupações, os argentinos agora colocam a inflação perto do fim da lista. “As prioridades da população se deslocaram para os níveis de renda, a incerteza econômica e o emprego. Isso ilustra claramente a capacidade dos eleitores de mudar suas demandas assim que uma necessidade é atendida”, dizem os analistas Alberto Rojas e Alejo Czerwonko, em relatório do banco UBS.
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